Esse post for escrito em 2017 e recentemente editado, dai ele aparecer no topo do blog, como sticky por uns tempos.
Em 2015 eu estava fotografando bromélias com negativos de papel. Pera ai! Como assim!?
Tinha um contâiner de navio no jardim do Sesc Ipiranga. Aquilo era usado por uma galera e passou às mãos do pessoas das oficinas culturais de lá. Fizeram uma pequena reforma e chamaram a Beth Lee para colocar umas lentes numa janela que havia sido fechada com uma placa de madeira. Segundo a Beth, ela escolheu diversas lentes com os comprimentos focais que poderiam ser usados no espaço.
Dai, quando aquilo estava pronto, chamaram algumas pessoas para dar oficinas com aquilo tudo. Calhou que a minha oficina ficou no início de um mês, a programação impressa atrasou e quando cheguei para dar aula não haviam inscritos. Ou seja, eu tinha um laboratório com uma lente que viam um jardim, materiais diversos, tempo e estava sendo pago. E no dia seguinte a situação se repetiu. Coloquei uma cadeira na frente da lente e lá coloquei umas das bromélias que estavam penduradas no lado de fora do contâiner.
Do lado de dentro, havia um cavalete sobre rodas que servia para pendurar papel vegetal ou papel fotossensível. Fiz uma composição e fui nas minhas caixas de papel velho ver o que tinha disponível.
Acabei fazendo essa foto aqui. Tem uns 60x100cm. Expus o papel ali no cavalete, levei para uma mesa onde coloquei as calhas de revelação que eu levei. Revelei e lavei ali e colei na parede do contâiner com uma fita vermelha que eu tinha, só para fazer uma foto com o celular e invertei num app, para ver como ficou.
O mais importante, ela não tem par, mesmo olhando com as outras imagens feitas nesses mesmos dias, ela distoa do grupo. Era um pedaço de papel bem peculiar. É uma ponta de papel de rolo esquecida na caixa, fungos por todas as bordas, manchas diversas, marcas do papel enrolado.
O desfoque do menisco simples é incrível também. Veja como os pontos de luz entre as folhas das árvores ao fundo viram borrões pretos na imagem. Veja a distorção das árvores, como ela correm para os quatro cantos da imagem.
Mesmo a bromélia, que deveria estar em foco, não tem detalhes, mas em tamanho natural, 1:1, não há necessidade.
Não é lindo?
São galáxias, constelações, clusters de estrelas, umas viagem pelo espaço sideral.
Escrito em 2017, editado em 2026…