Dicionário Fotográfico e Fotoquímico

Da série Livros Obscuros da Fotografia Brasileira:

“Clichê – Palavra francesa que, nesse idioma, significa qualquer negativo. Embora já tenha sido empregada em português é conveniente não fazê-lo, pois atualmente o têrmo em nosso país significa exclusivamente as chapas de zinco, ou de qualquer outra substância usadas para a impressão de gravuras em sistema tipográfico.” (sic)

É assim que João Koranyi explica a palavra clichê na terceira edição (de 1964) do seu Dicionário Fotográfico e Fotoquímico (nas primeiras duas edições ele era entitulado ABC Fotográfico). Publicado pela Editora Íris. Segue outros dois verbetes:

“Imagem – Representação de um objeto, produzida pela reflexão ou pela refração da luz. Diz-se que a imagem é real quando é formada pela convergência dos raios luminosos atravessando uma lente e projetada sôbre um plano, e virtual quando seria formada pela intersecção dos referidos raios caso fôsse, nesse ponto da intersecção, inserida uma superfície sôbre a qual êles incidissem.” (sic)

“Imagem fantasma – Imagem de contorno duplos que em geral é produzida por uma objetiva defeituosa. A correção só se faz trocando a objetiva.” (sic)

Dicionario

Foto-Montagem e Arte

Da série Livros Obscuros da Fotografia Brasileira – Essa é a capa do livro de Francisco Azsmann, onde figura a fotografia entitulada “Hipnose”. O livro é composto de uma série de memoriais descritivos das produções fotográficas do autor, muito interessante no que diz respeito à fotografia, técnicas de laboratório, estrepulias no ampliador.

No entanto, às vezes é difícil entender de onve vem a intenção de certos comentários, coisa que não se espera de um livro fotográfico. Por exemplo, no trecho sobre a fotografia entitulada “Três Vícios”, o autor escreve o seguinte: “Certa vez. u`a moça cheia de bôa vontade, quiz colaborar com a arte e ofereceu-se para posar, como modêlo.” (sic) E mais adiante o autor continua: “Por uma questão de cortezia não pudemos dizer que não iríamos fotografar. Era bonitinha, porém, quando se despiu, verificamos que, para um nú artístico, não serviria, por deficiência física. Escondemos, de seu corpo, tudo aquilo que era possível…” (sic).

Já a explicação de como o rebaixador num pincel semi-seco foi usado para encurtar as pernas da moça é boa, apesar de tudo. Sobre uma chapa de vidro, Azsmann coloca os dois negativos em registro (como devem estar na montagem final) ambos com a emulsão para cima. Sendo o negativo a ser rebaixado o que fica exposto. Assim, ele vê onde há conflito nas imagens e com o pincel remove densidade do negativo a ser rebaixado nas áreas que escolhe.

Azsmann usa a fotomontagem essencialmente para recriar imagens feitas com uma grande angular imaginária ou com profundidade de foco infinita, mas o livro também ensina a transformar dia em noite em uma foto p&b e lembra que não está com pressa, não corre e não cai.

Foto-montagem e Arte

A série dos livros obscuros • em breve

Há um ano atrás publiquei um post lá no Temporal, do qual reproduzo um trecho:

“… em homenagem ao Francisco Azsmann, fotógrafo húngaro que passou a habitar a cidade do Rio de Janeiro após a Segunda Guerra Mundial. Azsmann se dedicou e muito a conseguir medalhas em salões de fotografia e se intitulava o expositor mais premiado do mundo fotográfico. No mundo dos fotoclubes isso era grande coisa. Deixando de lado todos os pressupostos do tempo em que Azsmann viveu e fotografou, seu trabalho era bem resolvido tecnicamente. Em 1961 ele publicou o livro “Foto-montagem e Arte” abrindo as portas para seu ambiente criativo e técnico. O livro trás detalhes e dicas que podem ser úteis para quem curte experimentar no laboratório fotográfico. É um livro raro.”

Nesse último final de ano acabei me deparando com mais livros raros e interessantes que pontuam a fotografia, livros técnicos que falam de coisas esquecidas. As tais técnicas-lixo que tanto menciono aqui. Livros de certa forma obscuros hoje em dia e que merecem resenhas mesmo que póstumas.