Imperdível!
guilhermeMaranhão • refotografia
câmeras, scanners, filmes… quebrados, obsoletos, vencidos, mofados, estragados…
Thyago Nogueira fez um livro muito bacana, chama-se Japão.
O lançamento do livro é nessa terça, às 20h, lá na Vermelho/Tijuana.
Tá ai uma gambiarra nova, gravei em vídeo a animação em Flash do site da gráfica rápida, assim podemos folhear digitalmente o Boneco #2 do Livro Ruídos, Interferências, Acaso.
(em 1 min e 3 seg, sim, é super pouco tempo).
Aproveitei minha viagem para terminar de ler O Instante Contínuo de Geoff Dyer. Na contra-capa uma explicação do que é o livro: “…o jornalista inglês examina como certos objetos e assuntos reapareceram em imagens ao longo do tempo e embalado por eles discorre sobre a vida e a obra de grandes fotografos…”
Chapéus, cercas brancas, bancos quebrados, ruínas, capôs de carros, camas, mendigos, homens de sobretudo preto, portas. Me dei conta que fotografei quase todos esses temas/assuntos. As associações de Geoff me parecem muito pertinentes. Para quem não é fotógrafo ele parece entender muito bem a influência que diferentes modos de fotografar e que diferentes equipamentos fotográficos podem ter sobre uma imagem.
O que ficou do livro, o que mais me cativou na leitura, foi poder entender um pouco mais a motivação de certos fotógrafos, seus percursos. E além disso poder apreciar como Geoff faz a leituras das imagens, como as descreve em palavras.
Nas minhas buscas sobre a invenção do ampliador fotográfico, procurando por histórias de um cara chamado Draper, que foi quem primeiro descreveu a ampliação de uma fotografia, segundo um website sobre a história da fotografia, acabei esbarrando em uma preciosidade. Um livro sobre solarização disponível na rede: Solarization Desmystified, de William Jolly. Um artigo interessante de Ed Buffaloe.
“A fotografia para mim é um processo de gravura. Defendi esse pensamento quando tentei introduzi-la como categoria artística, na 2ª Bienal de São Paulo. Acredito também que é no “erro”, na exploração e domínio do acaso, que reside a criação fotográfica. Me preocupei em conhecer a técnica apenas o suficiente para me expressar, sem me deixar levar por excessivos virtuosismos. Sempre trabalhei com uma câmera Rolleiflex, de 1939, que me possibilita duplas ou mais exposições do filme, o que me permite compor quando fotográfo. Acredito que a exagerada sofisticação técnica, o culto da perfeição técnica, leva a um empobrecimento dos resultados, da imaginação e da criatividade, o que é negativo para a arte fotográfica.
O lado técnico não faz senão duplicar nossas possibilidades de descoberta. Não sou pintor senão no momento de bater a fotografia, de escolher meu ângulo, meu plano. Em seguida, durante todo o tempo em que a objetiva funciona, eu faço um trabalho de composição independente do que escolhi como assunto, no qual o único guia é o ritmo, o contraponto, a harmonia plástica. A fotografia abstrata pode atingir alturas musicais.”
Esse texto de Geraldo de Barros foi publicado no livro Fotoformas, lançado junto a exposição do fotógrafo no MIS de São Paulo, em 1994. Tenho lido diversas coisas pensando na oficina que começa amanhã. Só me pergunto porque tantas negativas quanto ao conhecimento da técnica fotográfica. Qual teria sido o grande problema que Geraldo enfrentava aqui? Porque deixar tão claro que ele não conhecia tanto a fotografia? Coisa do lado pintor? Estava se sentindo engolido pela caixa preta? Claustrofobia?