Glossário do Flusser

Tem um glossário logo ali, cá em cima, nos tabs desse blog.

E sempre que eu entro ali para adicionar uma palavra, ou mesmo ler o que já escrevi sobre alguma outra, eu penso no glossário para uma futura filosofia da fotografia. Esse é o glossário que está nas edições da Filosofia da Caixa Preta de Vilém Flusser.

O glossário de Flusser tem verbetes sensacionais, curtos e pungentes. Tais como o primeiro de todos:

“Aparelho – brinquedo que simula um tipo de pensamento.” (sic)

E é só isso mesmo, até porque mais não é necessário. Outro:

“Informação – situação pouco-provável.” (sic)

E por ai vai. Curioso é ver que o esqueleto do livro está no glossário, e ao contrário do que se imaginaria, para entender completamente o glossário é necessário ler todo o livro.

ISPR

O décimo primeiro post desse blog era sobre um pequeno livro. Um livro inspirado em alguns relatórios chamados de Improper Shipment Procedure Records.

Naquela época eu procurava uma impressora laser meio baleada para voltar a fazer esses trabalhos. Fiz esses livros enquanto fotografava peças metálicas que chegavam enferrujadas em uma fábrica. Cada foto mostra um defeito. O livro virou ISPR.

Performance ou coincidência

Essa foto eu fiz num museu em Hamilton, no Canadá. Esse trabalho me deixou enlouquecido.

A técnica da aquarela tem um jeito de lidar com a noção que temos de positivo e negativo (como na fotografia), porque a a transparência da aquarela permite pintar o fundo, deixando o branco do papel transparecer.

Esse figura encontrou um jeito de mudar a madeira, trabalhando no negativo, como se faz quando se cria uma matriz de xilogravura, mas com fogo. As chapas de compensado estavam chamuscadas enegrecidas, a raspagem desse enegrecido deixava transparecer a cor da madeira. E os dois garotos apareceram na hora certa, ou talvez eles ficassem lá o tempo todo e eu não tenha me ligado que eles faziam parte da obra, afinal era coincidência demais.

Tartaruguinhas em Noronha

Em Fernando de Noronha, para você encontrar 20 pessoas numa praia precisa muita coincidência. No entanto, quando o Tamar alerta sobre a abertura de ninhos de tartaruga, a coisa muda de figura e aparece muito curioso. Por alguns segundos me senti num pit do FashionWeek, não chegou a rolar cotovelada, mas faltou espaço para tantos CCDs.

Chico Divino em Paraty

Chico

Fotografei o artesão Chico Divino lá em Paraty. O Chico ficou famoso pelas suas representações do Espírito Santo, as famosas pombinhas e ganhou esse apelido. O Chico gosta de passar na frente das construções e descolar pedaços de madeira que possivelmente acabariam no lixão da cidade ou boiando pelo mar. Com essa madeira ele faz sua arte.