Primeiro havia recebido do André, agora de Mariana, é o link que coloquei ao lado sob o nome: Richard Nicholson Darkrooms. O fotógrafo realizou um ensaio fotografando o interior de laboratório fotográficos de impressão na cidade de Londres. Vale a pena ler o texto, nostálgico, uma ode ao ampliador fotográfico, que o autor considera uma das obras-primas da indústria moderna.
O fato é que o ensaio, o texto, as fotos, os ambientes retratados me fizeram partir para uma série de idéias, nostálgicas ou não, que se combinaram com a dificuldade que passo agora para adquirir tiossulfato de amônia, matéria-prima do fixador fotográfico rápido (segundo Anchell, o único seguro para filmes contemporâneos, blá, blá, blá).
O texto de Benjamin, “A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica”, iniciado em 1936, publicado em 1955, fala dos efeitos da fotografia, das gravações sonoras e do cinema na arte. Enfim, o texto fala de mudanças fortes, duras, permanentes. A Era Digital por sua vez trouxe inúmeras mudanças para nossa noção de arte, um texto como o de Benjamin provavelmente será escrito daqui uns anos, quando tudo parecer mais claro.
Richard Nicholson fotografou uma cena desse drama de mudanças. Se falássemos da Megera Domada e a fotografia fosse Kate, quem seria Petrúquio?
Os quartos-escuros das fotos, sua decoração e seu conteúdo falam de um ritual que ocorre dentro deles: homens e mulheres imaginam (visualizam segundo Adams) os efeitos de papéis e químicos, deixam que suas mãos dancem do caminho da luz, sentem o cheiro do ácido acético, ouvem música, procuram ver na luz rala. Não há como comparar o resultado de uma sessão de laboratório com uma sessão de inkjet. Uma pena que a Era Digital vai impor o inkjet até para muitos trabalhos que ficariam melhor numa cópia feita pela mão do artista com sais de prata.
É certo que vão surgir outros rituais (esses incluindo a inkjet ou o que vier) e esses serão os nossos rituais daqui para a frente. Uma pena que não serão no escuro.

