Construção da câmara ULF 16×20″ • Emulsive

Hoje foi publicado no Emulsive um artigo que fiz detalhando a construção da câmara ULF, segue aqui o link: https://emulsive.org/articles/projects/measure-twice-cut-once-building-my-multi-format-8×20-16×20-and-12×16-camera

Começa mais ou menos assim:

I lived most of my life in São Paulo, Brazil, with its 20+ million people. I have photographed São Paulo in many different ways, but ever since I got a box of expired 16×20” lith film I have imagined shooting large landscape negatives with lots of details and contrast, this is a small tale about a camera that came to be as part of this desire.

My story begins a little before my first son, Pedro, was born – he was due in March 2002 and I decided to build him a crib. At that time, I was working in a plant that packed auto parts for export in Tillsonburg, Ontario, Canada. My job was to photograph packaging procedures and make up some instructions for each part that came by.

We also had a woodshop to make trial crates for large parts, the man responsible for this shop was Joe Marshall and we used to talk a lot about travelling and woodworking. He offered to help me with the crib and one day during lunch we went to the outskirts of town to see a lumberjack. I ended up buying a large chunk of maple…

Testes com a Canon Pellix

Há uns meses eu fiz alguns testes com uma Canon Pellix e uma objetiva FL 58mm f/1.2. A Pellix é uma câmera da Canon que tem o espelho fixo, na verdade um semi-espelho. Para entender melhor segue o link da Wikipedia.

Usei um filme Fomapan 400, exposto a 400 mesmo, revelado em Parodinal 1+50. Deveria chamar Fomapan 200, mas enfim os filmes são o que são.

Depois do filme revelado escaneei o resultado num scanner Pakon e são essas imagens que temos aqui.

Com a objetiva ligeiramente fechada a imagem começa a mudar, os detalhes passam a aparecer mais no canto.

E por fim uma imagem em f/11 para ver como a objetiva se comporta.

As Câmeras Renzo

Qual não foi o meu espanto ao ver dois trambolhos muito interessantes na vitrine da loja Angel no centro de São Paulo esses dias. Me aproximei cautelosamente e li os dois cartões, um sobre cada câmera:

“Câmera Renzo – Artesanal
•Formato Panorâmico 24×70
•Filme 35mm
•Lente 35mm f/3.5”

E na outra câmera:

“Câmera Renzo – Artesanal
•Formato Panorâmico 55×184
•Filme 120
•Lente 75mm f/3.5”

Fui até o balcão e pedi informações sobre as câmeras e seu construtor, dono, etc.

O Claudio me contou do Sr. Renzo e se ofereceu para nos colocar em contato. Retornou pelo telefone alguns dias depois e marquei um encontro com ele lá na Angel mesmo onde estavam as câmeras.

O início de nossa conversa foi um pouco tensa, acho que o Sr. Renzo estava muito curioso para saber porque tanto interesse pelas suas câmeras. Comecei então a mostrar algumas imagens no meu celular, fotos de projetos, de coisas construídas e de idéias ainda sendo matutadas.

renzo guerin

Um pouco mais tranquilo, o Sr. Renzo me contou um pouco de sua história. Engenheiro aposentado, filho de uma italiana e um decendente de franceses, Sr. Renzo lembra da sua participação no XI Salão Internacional de Arte Fotográfica na Galeria Prestes Maia em 1952 ao lado de Geraldo de Barros, German Lorca, Eduardo Salvatore, Francisco Azsmann entre outros.

O Sr. Renzo começou cedo a construir coisas, incentivado pelo pai que também foi engenheiro, construiu seu primeiro ampliador aos 15 anos usando uma câmera 6x9cm francesa. Me contou que a grande inspiração sempre foi a falta de dinheiro, diz ele sorrindo. “Não pode comprar, tenta fazer”. Nessa anos todos fez diversas coisas, desde mais ampliadores, uma câmera pinhole em madeira e uma câmera tipo field de formato 6x9cm também.

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Note bem o marginador feito de chapa de metal e imãs. Dá um ótimo aproveitamento do papel para imagens sem margem.

Já as câmeras panorâmicas são projetos bem mais complexos. Instruções de uso de ambas estão em adesivos espalhados pelas superfícies das câmeras, faça ajudar a memória.

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Essa é a vista traseira da câmera 35mm com o takeup spool prateado do lado esquerdo, as guias do filme douradas no centro.

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Esse disco do topo serve para armar o obturador periférico e o botão no centro dele controla o diafragma.

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Pela frente se vê uma fenda e a objetiva escondida ali atrás. A tampa (visível na parte inferior) precisa ser fechada para armar a câmera.

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Esse é o obturador em ação:

A câmera 120 é um pouco maior, tem a frente em couro para a objetiva se movimentar.

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O visor de arame ajuda na composição e também serve como alça.

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As etiquetas continuam lá!

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A traseira.

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Um detalhe da madeira no fundo da câmera que foi usinada para formar o trilho por onde se movimenta a objetiva quando esta gira.

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Com a câmera 120 o Sr. Renzo conseguiu fazer uma ampliação com 2 metros de comprimento. Ele considera o resultado muito bom, a boa nitidez da câmera se deve ao fato da fenda só usar o centro da imagem projetada pela objetiva e das velocidades serem muito altas evitando borrões.

As câmera ficarão por tempo indeterminado na vitrine da Angel na galeria da Rua 7 de abril, 125, a visita vale a pena!