Scanner com DSLR, objetivas

Hoje cheguei ao estúdio e percebi que havia esquecido minha lente macro em casa. Tinha que fazer algumas reproduções de negativos 35mm e sem ela seria complicado. De repente me ocorreu que eu tinha o fole comigo e a lente de ampliador nele adaptada. Mas essa montagem gera imagens de 1:1 para mais e para reproduzir negativos 35mm com uma digital com crop 1,6x não funciona, ou seja, eu precisava algo em torno do 2:1. Vasculhei uma gaveta, achei tubos de extensão, uma 135mm da Contarex, não ia dar certo. Dai me ocorreu pegar uma lente de scanner e adaptar no próprio fole, para ficar mais próxima ao CCD do que a lente do ampliador, não deu certo também, mas acabou encaixando dentro de um tubo de extensão que preso a outro mais curto deu o resultado desejado. Os tubos e o fole são para Nikon, um adaptador que eu construi para colocar as lentes da Nikon na Canon foi necessário e fui em frente.

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Busch Pressman e Scanner Câmera v4

Duas pequenas reformas estão em andamento. A primeira é da Busch Pressman, uma 4×5″. A traseira da câmara tinha um problema de plano focal, o foco estava fora por mais ou menos 0,5mm e isso estava causando alguns problemas sérios nas imagens.

A outra reforma é de uma Nikon N50 que o Hugo me deu. A câmara parece que foi ao mar e acabou indo parar nas mãos dele. As placas se perderam, ela nem ligava. Mas o espelho se movia normalmente com a ajuda do dedo. O anel frontal ainda aceitava as lentes da Nikon, surgiu uma idéia de usar o corpo para receber um implante de um CCD Linear removido de um HP2200c sucateado. A idéia é colocar o CCD no exato plano focal, coincidindo com o despolido da câmara, assim será possível fazer foco o compor as imagens com a ajuda do sistema reflex.

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Nessa altura já abri espaço para o novo CCD retirando tudo que não seria necessário na câmara, com a ajuda de um alicate e de um serrote. Instalei esses dois parafusos que vão servir para posicionar o CCD, as porcas, em par, serão capazes de oferecer os ajustes necessários para que depois o foco seja feito pelo visor.

Na parte superior da câmara, abri um enorme buraco por onde passa um dedo, foi a maneira que encontrei de acionar a abertura do espelho, que se fecha com a ajuda de uma mola.

Uma idéia antiga era escanear a Lua com o movimento de rotação da Terra, agora podendo utilizar uma teleobjetiva, focar e apontar corretamente o CCD Linear, isso talvez seja possível.

Kodak DCS420 funcionando!

Encontrei fotos dos testes com a DCS420 recuperada numa feirinha de antiguidades. Na época consegui uma N90 emprestada para fazer uns testes. O DCS420 é um back digital para a N90, faz fotos coloridas e tem resolução de 1,5MP. Na época que ele foi feito ainda eram comuns os backs digitais p&b, por isso a explicação.

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Essa ai é da modificação que foi necessária para usar uma bateria externa na câmara, já que a original que habitava o interior do grip havia vazado.

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Já dá para ver um putz ponto magenta no meio do imagem, uma mancha no sensor.

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Uma foto da parede branca, fora de foco, revela a situação desse sensor surrado. Totalmente desigual e manchado.

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Mas em certas imagens, simplesmente funciona. A mancha ainda está lá, mas não aparece tanto assim. Aqui uma foto com a 200mm da Vivitar.

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Uma última foto com a 35mm/1.4 da Nikon, que nessa câmara com fator de crop 2.5x, vira algo próximo de 90mm. Complicado fotografar com uma câmara onde a 20mm vira uma 50mm.

Câmara com 16 objetivas

Tudo começou com um saco de 100 monóculos, daqueles nos quais se coloca um meio-frame 35mm de slide. Juntei 16 desses monóculos com cola quente. Comecei ao redor deles uma estrutura de papelão.

A coisa cresceu e ganhou um obturador estranho na frente. Um fenda que corria pela frente das lentes dos monóculos.

Dezesseis pontos de vista.

Laços de família fotográficos

Minha mãe encontrou essa foto do meu bisavô. Ele fazia o tipo atlético, foi goleiro de futebol. A curiosidade dessa imagem é que ele tem a sua câmara fotográfica pendurada no pescoço. Dentro do estojo de couro.

Anos se passaram e um dia na casa da minha tia avó eu encontrei a tal câmara. Desde então quem cuida dela sou eu.

Em 1994 eu fui ao Rio várias vezes, por questões de família, levando a câmara, que é bem pequena quando fechada. Fotografei na Dutra, em Copacabana, por onde eu passei. Por onde eu sempre passo, ainda. Essa foto aqui é da minha avó, feita com a câmara que aparece na foto de cima, junto as plantas que ela tanto cuidava, como eu ainda cuido da câmara do meu bisavô.

Exa modificada para 3×4

Conversei com Antonio Carlos Antunes, que me vendeu a Exa modificada por seu pai, segue aqui um trecho onde ele conta a história por trás da câmara que ficava instalada numa parede do estúdio em Porto Alegre para fazer 3×4:
“Nosso pai, Aimoré Carlos Silva Antunes, fazia fotos para documentos usando câmaras Hasselblad, programando a revelação dos filmes a cada hora. Havia porém o problema dos clientes que tinham pressa, fato que iria gerar a retirada do filme antes do horário previsto, e portanto, incompleto.
Para solucionar o problema, na década de 70, ele adaptou uma Exa para receber rolo de filme 35 com 30 metros de comprimento. Era utilizado o filme Fuji para cinema. Ela ficava na parede que dividia dois estúdios, parede esta dotada de um cubículo escuro, deslocando-se verticalmente na tábua que lhe dava suporte através de um sistema de roldanas com contrapesos. Assim, se adaptava à altura da pessoa a ser fotografada.
Com o sistema de guilhotina presente no compartimento do filme, era cortada apenas a porção exposta do filme, aproximadamente uns 15 cm, sanando assim a perda que iria ocorrer no caso da utilização do filme 120 da Hassel.
Eram colhidas, por segurança, duas imagens da mesma pessoa. O pedaço de filme era colocado dentro de uma lata no cubículo escuro e enviado à câmara escura do laboratório localizado no pavimento superior, por um sistema a ar (um aspirador de pó invertido). A latinha era aberta, o filme revelado e copiado em poucos minutos.”