Duas EXAs modificadas • modelo

Uma imagem para ilustrar o lance das duas Exas modificadas. O modelo escolhido por esses pessoas foi exatamente o mesmo. Não acho que seja coincidência, mas sim uma facilidade de acomodar mudanças na câmara.

 

Duas Exas

O que me chamou atenção nessas duas modificações de fontes diferentes são as coincidências, desde a câmara usada até os materiais, como o latão. Uma veio de Porto Alegre e a outra aqui de São Paulo. A Ihagee de Dresden produziu diversos modelos da Exa, mas sua câmara mais famosa foi a Exakta, a irmã maior da Exa.

EXA modificada para 3×4 • imagem

A Exa para retratos rápidos do FotoFlash em Porto Alegre. Essa imagem mostra o lado de fora da câmara, com viso angular e a alavanca de avanço do filme saindo da caixa cinza.

Do outro lado fica uma enorme bobina de filme e um pequeno compartimento onde há até uma gilhotina que corta o filme já exposto.  O fotografama era enviado por um duto de ar (propulsionado por um aspirador de pó) até o laboratório no segundo andar e os retratos em p&b eram entregues em 40 minutos (sem desperdício de filme).

Exa para 3×4 rápidos

Polaroid Palette

E nada. Descolei um Polaroid Digital Palette no centro da cidade. Uma impressora de slides, diriam alguns. Veio de um jeito todo empoeirado, suja que só. Abri a traseira da câmera e (ao lado de um adesivo que diz: CAUTION Do not touch the shutter) jazia um obturador todo amassado. Coloquei as palhetas no lugar. Liguei um computador velho. O tal Digital Palette é um misto de periférico SCSI com monitor, voltagens altas, fiquei com medo dele fritar um computador bom. Conectei o bicho e liguei a força, uma luz verde acendeu e me trouxe esperança. Instalei drivers que achei na internet depois de fuçar horas. Liguei o Photoshop, cliquei em exportar, veio a interface do programa, uma barra de progresso se deslocou de um lado para outro, como se algo estivesse acontecendo no mundo real, mas nem um som, nem um movimento. E nada. Mentira: a luz verde passou a piscar, a esperança se foi.

Consegui uma saída inesperada para o posicionamento da lente dentro do scanner e rolou a aproximação necessária, apanhei um pouco para focar, mas rolou também. A imagem final ficou em 5056×5056 pixels. Ainda não há uma calibração decente de cor e rola um batimento violento que talvez nunca tenha solução. Escaneei um retrato que fiz da Tia Márcia.

A tese

falei com meu chará. perguntei se ele achava que a minha tese era legal. a minha tese? nossa condição não nos permite produzir em quantidade sem depender de um fluxo de dinheiro grande, a apropriação (lá vou eu usando essa palavra) nos permite produzir mais com menos. a nossa situação produtiva melhora com o uso dos materiais velhos, abandonados, achados, procurados no lixo, etc e tal. enfim, apenas uma tese. eis que acho também que essa facilidade financeira gerada pela inserção desses materiais no processo produtivo alivia a mente do artista das questões mais palpáveis, dá uma tranquilidade que o artista consegue traduzir em criatividade mais ampla. enfim, apenas uma tese. é verdade que penso que o acaso tem um papel importante, e nos força a aceitar uma série de coisas que não aceitaríamos caso estivéssemos pagando, e caro, por cada filme e cada cópia em papel. mas a tranquilidade é de ouro.