Duas EXAs modificadas • modelo

Uma imagem para ilustrar o lance das duas Exas modificadas. O modelo escolhido por esses pessoas foi exatamente o mesmo. Não acho que seja coincidência, mas sim uma facilidade de acomodar mudanças na câmara.

 

Duas Exas

O que me chamou atenção nessas duas modificações de fontes diferentes são as coincidências, desde a câmara usada até os materiais, como o latão. Uma veio de Porto Alegre e a outra aqui de São Paulo. A Ihagee de Dresden produziu diversos modelos da Exa, mas sua câmara mais famosa foi a Exakta, a irmã maior da Exa.

EXA modificada para 3×4 • imagem

A Exa para retratos rápidos do FotoFlash em Porto Alegre. Essa imagem mostra o lado de fora da câmara, com viso angular e a alavanca de avanço do filme saindo da caixa cinza.

Do outro lado fica uma enorme bobina de filme e um pequeno compartimento onde há até uma gilhotina que corta o filme já exposto.  O fotografama era enviado por um duto de ar (propulsionado por um aspirador de pó) até o laboratório no segundo andar e os retratos em p&b eram entregues em 40 minutos (sem desperdício de filme).

Exa para 3×4 rápidos

Porto Alegre • Natal de 2007

POA – Fui ao brique (a feira de antiguidades dos gaúchos) em busca de câmaras antigas passíveis de reformas, fotografei tudo com Plus-X super-vencido na 6×4,5.

Achei, não no brique, mas através da internet, um equipamento fotográfico modificado artesanalmente. É uma câmara Exa que foi instalada em uma tábua de madeira para fazer fotos 3×4, o segredo é que o negativo fica já do lado de lá da tábua, que estaria dentro do laboratório e pode ser cortado um a um evitando o desperdício de filme.

É a segunda Exa que eu vejo em modificações do tipo. Essa câmara parece a preferida porque tem um sistema de avanço do filme que aceita várias mudanças simples. O botão de avanço puxa o filme e é o próprio filme que fazendo girar o “sprocket” arma o obturador e levanta o espelho. Ambas as câmaras foram adaptadas para operar com 30m de filme de uma vez só.

PFU DL2400 pro

Uma questão de escala. Finalmente, com ajuda de um francês boa praça, consegui fazer meu scanner novo funcionar. Para ilustrar o tamanho da criatura fiz uma foto dele junto com o que eu achava ser um scanner grande, um Umax 1220S. Para dar escala coloquei uma Nikon FM2 no meio. O Lynx A3 tem 25Kg e a julgar pelas marcas nele todo, ele foi jogado para lá e para cá no galpão das sucatas, impressionante como o vidro não quebrou e ele continua funcionando normalmente.

A comparação

A formação da imagem fotográfica

“Uma constante no meu trabalho, ir em busca de alterações no cerne do processo de formação da imagem, subverter a ferramenta produzida pela indústria.”
Escrevi isso um outro dia aqui. Desde esses dias tenho pensando muito sobre o tal processo de formação da imagem. Invejando ingenuamente a capacidade de criar densidade nos conceitos do Flusser, de tornar palavras simples como jogar coisas complexas que explicam muito sobre a fotografia, resolvi tentar formular uma afirmação sobre o processo de formação da imagem onde seria possível encontrar os seus fatores primordiais dentro do que é a linguagem fotográfica. Esses fatores são os que eu supostamente altero quando executo meus trabalhos, ou seja, será que eu realmente faço aquilo que descrevi na primeira sentença? Gostaria de chegar a um resultado que fosse “universal” dentro do pouco que conheço. A idéia é criar uma coisa mais abrangente para abrigar as várias maneiras diferentes de se trabalhar e formular um denominador comum entre os processos digitais e analógicos. Comecei com algo com dois parágrafos, fui editando, mudando palavras, acabei com: Uma imagem fotográfica se forma quando o objeto fotossensível exposto à luz é processado.
Daonde tiro os 3 fatores: o objeto, a luz e o processo. Existe, é claro, um repertório de possibilidades para cada um desses fatores, no lado prático das coisas, o objeto em si pode ser um filme fotográfico, um papel fotográfico, um CCD ou um CMOS, uma emulsão de cianótipo sobre uma matéria qualquer e por ai vai; a luz pode ser uma projeção de uma lente ou de um orifício, a própria sombra do assunto, uma velatura pela luz ou pelo tempo; o processo é algo que tanto pode ser feito por contato com líquidos de alguma maneira ou dentro de um computador, incorporando ruídos em ambas as possibilidades, e a posterior montagem.
Isso me serve pelo menos como uma premissa para explicar mais adiante meus fazeres e meus estudos fotográficos.

Polaroid Palette

E nada. Descolei um Polaroid Digital Palette no centro da cidade. Uma impressora de slides, diriam alguns. Veio de um jeito todo empoeirado, suja que só. Abri a traseira da câmera e (ao lado de um adesivo que diz: CAUTION Do not touch the shutter) jazia um obturador todo amassado. Coloquei as palhetas no lugar. Liguei um computador velho. O tal Digital Palette é um misto de periférico SCSI com monitor, voltagens altas, fiquei com medo dele fritar um computador bom. Conectei o bicho e liguei a força, uma luz verde acendeu e me trouxe esperança. Instalei drivers que achei na internet depois de fuçar horas. Liguei o Photoshop, cliquei em exportar, veio a interface do programa, uma barra de progresso se deslocou de um lado para outro, como se algo estivesse acontecendo no mundo real, mas nem um som, nem um movimento. E nada. Mentira: a luz verde passou a piscar, a esperança se foi.