Velatura

Esses dias tive a oportunidade experimentar um papel brasileiro bem antigo da marca Bove. O envelope me foi dado pela amiga Dani que se mudou para a Jordânia. O envelope em si já mostrava marcas de idade avançada e como era de papel pouco encorpado eu já esperava o pior, ou o melhor, como saber diferenciar os dois…

Tá ai, a etiqueta do envelope de papel e a bula com direito a fórmula de revelador e tudo. É verdade que alguém tava com a cabeça nas nuvens na hora de escrever a bula. Veio pensando em Metol, mas escreveu Motel. Rsrsrs.

Ao invés de saco plástico preto, o interior do envelope era com outro envelope de papel, esse preto, mas que já estava meio rasgadinho.

O resultado foi bem interessante. Um lado do papel 30x40cm estava completamente velado, como uma nuvem. Escolhi três negativos para produzir uma pequena série incorporando essas nuvens negras.

Ampliador 8×10″ • objetiva e testes

Há um tempo atrás eu comecei a postar algumas coisas sobre um projeto antigo, um ampliador para filmes em formato 8×10″. Esse projeto estava andando lentamente até que surgiu num site de leilões uma lente JML 210mm perfeita para a tarefa. A lente correu o mundo e chegou até aqui.

A primeira providência foi uma limpeza profunda de todas as superfícies de vidro e depois comecei a pensar em como colocá-la no chassi do Durst. A lente veio acompanhada de um lensboard quadrado de metal. Um anel aparafusado ao lensboard era onde a lente ficava rosqueada para estar presa ao lensboard.

O anel por si só era o adaptador perfeito para encaixá-la no Durst. Mantendo o anel preso a lente, usei uma lima de metal para desgastar o anel em três pontos, assim fazendo-a caber direto no encaixe de 77mm dos lensboards do ampliador Durst.

Cometi um erro bem bobo e a escala de aberturas da lente acabou virada para trás. Tive que colar uma etiqueta branca na lente para ter uma segunda escala virada para frente.

Aqui o ampliador já montado na coluna do Durst M800.

E um outro detalhe mais lateral da montagem.

Escolhi uma foto de um jacaré inflável para meu teste inicial. O tempo de exposição ficou em quase 4 minutos com a lente toda aberta (f/8). A luz da cabeça é bem fraca, mas isso é aceitável, já que minha idéia por enquanto é fazer cópias coloridas.

Testei ampliações entre 30x40cm e 70x90cm. A lente se comportou muito bem.

Conversão Polaroid 600SE • back definitivo

Retomei a reforma/transformação da Polaroid 600SE em uma câmara para filme formato 4×5″.

Desfiz as mudanças que havia feito antes, para dessa vez adaptar um back 4×5″ proveniente de uma câmara Graflex direto na traseira Polaroid.

A adaptação anterior cortava muito da imagem, deixando com aproximadamente 3,5×4,25 polegadas.

Agora, com o back da Graflex, a adaptação dá uma imagem com 4×4,5 polegadas.

A primeira etapa do processo foi cortar boa parte da traseira da câmara. Ao contrário da minha tentativa anterior, em que eu evitei de mexer na câmara e somente alterei um back para filmes instantâneos, dessa vez eu alterei a câmara permanentemente. Usei uma furadeira para criar trilhas de perfurações e depois terminei com um serrote. O trabalho ficou bem grosso, mas isso tudo ficará escondido por baixo da massa plástica.

Fiz quatro furos nos quatro cantos do buraco que restou na traseira da câmara. Ali fiz roscas de 1/4 de polegada para colocar um parafuso em cada. A idéia é poder ajustar a posição do back 4×5″ antes de colá-lo no lugar.

Aqui o back 4×5″ ameaçado no lugar. Tive que usar um processo semelhante para recortar a estrutura do back e fazê-lo caber ao redor do visor da câmara.

Aqui um detalhe do parafuso que descrevi, sendo usado para ajustar a distância do back para a câmara. Com o vidro despolido no lugar e com a câmara sobre um tripé, usei o telêmetro da câmara para focar um objetivo brilhante. Depois fui ajustando os quatro parafusos até o foco no despolido coincidir com o do telêmetro.

Uma outra visão para mostrar quanto espaço sobrou aberto entre câmara e back.

Aqui uma visão frontal, mostrando o espaço já preenchido com massa plástica (Iberê), um dos meus materiais prediletos para criar engenhocas.

E a parte traseira também preenchida com massa plástica.Em breve algumas imagens após a pintura e a instalação dos componentes que haviam sido retirados.