ULF • Primeiras saídas

Depois dos chassis ficarem prontos, ainda finalizei uns detalhes que faltavam nas traseiras 30x40cm e 40x50cm (a 20x50cm estava pronta). Reuni todo o equipamento no case de madeira e fui para a rua experimentar os três formatos de uma única vez.

O kit básico nessas saída ficou assim: câmera no case de madeira com as 3 traseiras, tripé Mako, sacola xadrez com os chassis de filme, bolsa Alhva com objetivas e acessórios. Uma mochila com outros itens. Nessa foto a câmera tem a objetiva Protar 183mm f/18 que exige muito pouca extensão do fole e cobre os 30x40cm sem problemas, uma super grande angular rectilinear do início do século XX.

Nessa imagem a Kodak 500mm f/10 Ektanon Duplicating (lente para fotolito) com obturador tipo TP. Detalhe para a tábua central da base da câmera que permite o foco da objetiva deslizando sob a pressão da lâminas de alumínio para frente e para trás.

Na Rua Rio de Janeiro usei o formato 20x50cm na vertical sem problemas. A traseira da câmera é quadrada e todos os despolidos podem ficar em qualquer orientação, isso também permite mudar o lado para o qual se puxa o darkslide do chassi, isso foi muito útil na primeira foto porque tinha uma vidraça colada no lado direito da câmera e depois no Tatuapé também, por conta de um mamoeiro que ficava perto da posição da câmera.

No Viaduto 9 de Julho, com o tripé alto cabe quase tudo sob a câmera, isso dá um pouco mais de tranquilidade fotografando sozinho na rua.

Aqui sobre a passarela de acesso ao Terminal Bandeira ao final do terceiro dia, o cansaço começando a bater, foto do filho mais velho que veio ajudar.

Vencendo o cansaço, ainda achei energia para bater um contato do primeiro negativo. Coloquei uma bobina 35mm ali no canto para dar a dimensão da imagem.

Essa foto no Tatuapé no quarto dia mostra um detalhe interessante que são os rasgos na base da câmera. Eles permitem que a parte traseira da câmera seja posicionada aqui na frente para fotos com grande angulares, evitando que a base apareça nas fotos.

Aqui nessa foto na Móoca dá para ver o kit todo novamente na quarta saída. Atenção para os dois clipes que seguram o fole esticado sempre que a objetiva usa pouca extensão.

O fato é que esse equipamento é muito pesado. No primeiro dia cheguei a pensar que fosse desistir, depois de puxar a caixa pra fora da mala do carro pela primeira vez. Dai logo acostumei e peguei o jeito.

Em Julho de 2011, depois de ver fotos onde eu aparecia arrastando minha caixa de lona com a 8×10″ pelas areias de Ubatuba, Fátima Roque escreveu o seguinte: “Não falo da máquina, da fotografia do século XIX, do esforço, do carregar equipamentos pesados…etc, etc, etc. Coisas que por si gerariam horas de conversa calcadas no primeiro impacto. Falo da atitude. Do que está por trás desse fotografar, da liberdade de poder fazer, da estranheza, do fazer pensar: por que alguém no século XXI tem tanto trabalho para apertar um botão? Falo do ato e do prazer em fazer. Do imediatismo e do contemporâneo. Coitado desse tal contemporâneo, tão maltratado na raiz. Virou outra coisa repetida por quem apenas ouve sem refletir.”

Apresentei esse e-mail no grupo de estudos hoje, era nosso primeiro encontro e a proposta hoje era começar uma discussão sobre até é viável levar a fotografia analógica nesse mundo digital.

Sensitometria e Densitometria

Fuçando num livro, achei menção a uma fórmula antiga de revelador, digitei o nome dos caras que tinham inventado isso e acabei conhecendo os figuras que inauguraram a Sensitometria e a Densitometria. Bah!
Mais voltas pelo Google e achei uma publicação de 1920 com a transcrição dos cadernos deles usados nas pesquisas nos idos de 1896.
Os caras escreviam para os fabricantes cobrando um padrão quantitativo para a sensibilidade à luz das emulsões, algo tão simples para a fotografia atual…

Os tios são esses aqui. E aqui temos o tijolo.

Obscuro Mito • garanta o seu exemplar!

Obscuro Mito (e ainda é fotografia) de Fátima Roque e Guilherme Maranhão

O livro foi para a gráfica hoje e estará pronto daqui uma semana. São apenas 50 por enquanto!
Quer o seu exemplar? É para já —> deposite apenas R$40 para receber pelo correio. Nos comentários ou por email, basta dar um alô que eu encaminho os dados.

Update 05/05/2018: o livro está pronto e começa a ser enviado dia 07/05 (segunda-feira). Até o final do mês de Maio de 2018 o livro pode ser adquirido direto nesse link do PagSeguro (nesse caso R$43, já incluindo o frete de Impresso Nacional): https://pag.ae/blx8Zss depois basta me mandar seu endereço por e-mail.

The New York Photography Fair em Rochester

A fotógrafa Raquel Moliterno, especialista em processos históricos, em preservação de fotografias e em gerenciamento de coleções de imagens está curtindo uma de correspondente internacional do blog Refotografia (da mesma maneira que o Plínio aqui), está em Rochester, NY, EUA, para participar de uma conferência internacional sobre história da imagem fotográfica. De lá ela nos enviou essas imagens exclusivas da The New York Photography Fair que aconteceu hoje por lá paralelamente à PHOTOHISTORY/PHOTOFUTURE CONFERENCE.

Carbono • resetter chegou

Passados os dias de praxe, o resetter fez a viagem da China até o Brasil com direito a um descanso lá em Curitiba.

Ele funcionou de primeira e logo pude fazer os dois initial charges do lado direito que faltavam para testar um novo caminho para a tinta a 100%. O primeiro com líquido de limpeza (fórmula encontrada no LFPF) e o segundo já com tinta no cartucho.

Testei encher o cartucho do LK com a tinta preta pura e o resultado foi bem melhor o que o canal OR.

Você pode ser perguntar como é possível que seja indiferente em que canal estará a tinta preta. O software que vou usar é o QuadToneRip e ele é focado em impressões P&B. O QuadToneRip entende a impressora e a localização das tintas a partir de um arquivo chamado QuadTone descriptor file, que é apenas um arquivo TXT mais ou menos assim:

# QuadToneRIP curve descriptor file
# for 4900 with T474 Epson Archival Ink diluted inkset

PRINTER=Quad4900
CALIBRATION=NO
GRAPH_CURVE=NO

N_OF_INKS=10
DEFAULT_INK_LIMIT=65

LIMIT_K=0
LIMIT_C=0
LIMIT_M=0
LIMIT_Y=
LIMIT_LC=
LIMIT_LM=
LIMIT_LK=0
LIMIT_LLK=
LIMIT_OR=
LIMIT_GR=

#
# Describe usage of each ink
# All inks must be listed
#

# Gray Partitioning Information

N_OF_GRAY_PARTS=6
GRAY_INK_1=OR
GRAY_VAL_1=100

GRAY_INK_2=LM
GRAY_VAL_2=40

GRAY_INK_3=LC
GRAY_VAL_3=30

GRAY_INK_4=Y
GRAY_VAL_4=20

GRAY_INK_5=LLK
GRAY_VAL_5=10.5

GRAY_INK_6=GR
GRAY_VAL_6=5

GRAY_INK_7=
GRAY_VAL_7=

GRAY_HIGHLIGHT=6
GRAY_SHADOW=6

GRAY_GAMMA=1
GRAY_CURVE=

# Toner Partition Information

N_OF_TONER_PARTS=0
TONER_INK_1=
TONER_VAL_1=
TONER_INK_2=
TONER_VAL_2=

TONER_HIGHLIGHT=
TONER_SHADOW=

TONER_GAMMA=
TONER_CURVE=

# Unused Inks

N_OF_UNUSED=6
UNUSED_INK_1=C
UNUSED_INK_2=M
UNUSED_INK_3=OR
UNUSED_INK_4=Y
UNUSED_INK_5=LM
UNUSED_INK_6=LC

UC_NEUTRALIZER=NO

A parte do gray partitioning information é o X da questão.

As partes do arquivo que ficam depois do # são ignoradas pelo QTR, assim você pode fazer anotações para você mesmo, como por exemplo, na segunda linha uma descrição desse arquivo, anotei que a tinta para a qual ele foi criado é a tinta tirada dos cartuchos T474 que eu desmontei. Esse é um arquivo ainda cru, que não tem nenhuma informação de linearização nele, isso é a próximo passo, descobrir como essas seis diluições interagem e como se somam para dar densidade no papel.

De novo voltando a primeira etapa aqui que é imprimir o inkseparation para ver a densidade crescendo e avaliar quanta tinta é o limite de cada papel. A barra bem escura mais ao centro é o canal LK preenchido com tinta 100%. Uhu!

Maravilha! Agora temos preto!

A ansiedade é grande, então porque não fazer uma cópia antes de linearizar esse perfil?

Como o inkset é parecido com outro que já foi feito antes que é a base do perfil, a primeira cópia fica bem próxima do esperado e tem detalhes na alta e na baixa.

O próximo passo é definir um papel e fazer uma série de testes até chegar num ICC para poder imprimir sem sustos.

Para encerrar o post, o Carbono definitivo chegou do EUA e em breve chego nele.

Conversão de Objetivas

Suponho que foi no lançamento da 5D original que a adaptação de objetivas para outra baioneta se tornou um negócio tão enorme. A baioneta EOS da Canon já era conhecida e seus 44mm de distância da face da baioneta ao plano do filme eram convidativos (muitas objetivas necessitavam de 44.5mm a 46mm até o filme, isso era espaço de sobra para um anel adaptador).

Eu me juntei feliz a esse grupo e comecei a imaginar que objetivas poderia adaptar a minha 5D. Cheguei a converter um lote inteiro de objetivas SMC com baioneta Pentax K, mas o projeto mais complexo mesmo não envolvia a baioneta EOS. Eu queria converter uma objetiva Helios com mount M42 para baioneta Nikon e isso era um pouco mais complexo.

A objetiva é essa acima, a baioneta original foi retirada e no lugar dela um anel de outra lente foi encaixado, com os devidos trabalhos para possibilitar esse encaixe. Foi uma experiência interessante.

Logo depois eu encontrei essa objetiva da Kowa no eBay, uma 55mm para 1:1.

O estado dela era lastimável, mas as possibilidades muito interessantes. Depois constatei que a distância até o plano do filme era tão curta que nem numa Sony com mount E a objetiva serviria direito.

Quando cheguei ao Celso em 2017, comecei a separar objetivas que poderiam ser interessantes para o mundo do vídeo, um exemplo era essa Rokkor abaixo. A conversão foi simples, também uma troca de baioneta. O anel dos diafragmas ficou suave, uma solução bacana que envolveu a instalação de uma mola extra.

Nas sucatas do Celso achei essa Petri aqui. A objetiva é famosa por um design inovador e original e não é tão suave toda aberta como as outras 1.4 da mesma época, quando se fecha o diafragma ela tem muita resolução também. Para essa ainda tive que providenciar um anel intermediário para dar apoio à baioneta e colocá-la na distância correta.

Uma outra objetiva estranha que encontrei nas sucatas do Celso era uma Planar 80mm f/2.8 de uma Rolleiflex antiga. A elemento frontal tinha um amassado e provavelmente por isso ela não encaixaria numa câmera. Providenciei um obturador na sucata também que pudesse acomodar as partes da objetivas e oferecer um diafragma e a distância correta entre as duas metadas. Medi as posições das aberturas e imprimi uma escala na inkjet.

Para o helicoidal recorri à uma Helios, com o torno diminui bem o anel de foco e abri espaço na frente da helicoidal para acomodar o obturador. Um corpo de lente de ampliador de plástico serve de parassol. Apaguei do anel de foco todas as distâncias menos o infinito, que era o único que coincidia (Helios é 58mm e essa Planar uma 80mm)

Bom, dai chegamos ao que interessa hoje, que é encontrar objetivas que possam ser interessantes numa Pentax 6×7. Para isso passei boa parte de 2017 garimpando tubos de extensão diferentes. A Pentax fabricou 4 tubos de extensão para a 6×7, três de tamanhos fixos e um que tinha uma helicoidal nele próprio.

Esse da helicoidal eu usei para montar uma objetiva de projetor de slides Halina mais antigo. Ela tinha 100mm f/2,8 e um projeto estilo triplet que dá um desfoque interessante.

Meses mais tarde chegou da Dinamarca uma petzval com cremalheira e essa foi num tubo de extensão mais longo. Procurei lente mais curtas que ela, que são raras nessa época, acabei me contentando com essa porque o estado era bom para a idade.

Um exemplo de resultado dessa petzval pode ser visto aqui, o negativo 6×7 fica no centro da imagem e não aparece tanto o efeito swirly famoso das petzvals: