Meu filho mais novo queria fazer uma câmara pinhole. Expliquei a ele o que era Solargrafia e ele se interessou.
Começamos por identificar que a lata de fermento seria apropriada para esse projeto. Tivemos que esperar que o fermento fosse usado. A latinha foi lavada, depois secou. Não tínhamos tinta preta, logo aproveitamos a capa de um caderno, que era preta, para recobrir o interior da lata a fim de evitar reflexos indesejados.
Usamos um pedaço de alumínio da tampa do achocolatado. Fizemos o furo apenas com a ponta do alfinete, usando o tal caderno de anteparo. Limpamos a borda do furo, para garantir uma imagem mais limpa.
Tínhamos uma ponta de papel Kentmere. Prendemos a lata aqui na varanda, observando o nascente. Vamos abrir em 45 dias.
Esse par de Yashicas tinha uma série que problemas, mas vários deles não eram comuns às duas. Logo vi que uma tinha a lente ainda com coating, a outra fazia velocidades baixas intermitentemente e também conseguia fazer B, coisa que a outra nem sonhava. Muita ferrugem em ambas, o couro não estava completo, mas podia ser compartilhado.
Primeiro comecei a investigar as velocidades baixas intermitentes na Yashica que elegi como a melhor. Com um pouco de trabalho consegui limpar o mecanismo da velocidade baixa.
Nessa foto acima é fácil perceber que a objetiva em primeiro plano já perdeu o coating a reflete mais luz.
Essa Yashinon é um triplet. Normalmente Yashikor são as triplets e as Yashinons são quadruplets, mas no BR não funciona assim, para gerar confusão.
Por fim um detalhe da base de uma das Yashicas 124B mostrando o o Made in Brazil e o disco com A e F (Abre e Fecha) ao contrário de O e C (Open e Close).
Os três parafusos diferentes também entregam que essa câmara teve um passado com diversas visitas ao mecânico. Uma delas tinham um número 23 gravado em etiqueta rotex preso ao capuchão, coisa típica de câmaras usadas em grandes empresas de fotografia social, que vida que essa câmara levou.
Fazia muito tempo que eu não mexia numa câmara analógica para consertar ou modificar, foi uma delícia poder voltar a fazer isso. Teve uma camada de dificuldade extra, me adaptar aos óculos que eu comprei, para contornar a presbiopia, algo que não foi necessário no ano passado quando fucei numa Olympus XA. Essa XA ainda aguarda uma solução, é dessas que parou de ajustar a velocidade e dispara sempre a 1/500. Revisei todo o circuito e todas as conexões, deve ser o controlador. Mas isso fica para um outro dia.
Nos idos de Novembro de 2019, tinha ajeitado uma outra garagem para ser meu primeiro ateliê aqui na terrinha, depois passei quase um ano sem garagem para fazer minhas bagunças, até que recentemente me mudei novamente para um local com uma garagem.
Aos poucos nesse meio tempo, fui juntando um monte de tranqueiras para experimentar: scanners, webcams, impressoras, computadores antigos, cabos diversos, algumas ferramentas, parafusos, LEDs, máquina de costura, monitor, cafeteira. Organizei as coisas pequenas com potes de iogurte grego do supermercado Lidl, os parafuso com potes de vidro de geléia, as peças maiores dentro de um armário reaproveitado do banheiro da casa.
Na noite de sábado estava programada uma demonstração da fotografia com scanner. A Paula Lourenço e o Mario Rainha tinham construído essa obra chamada “Câmara-viva”, uma espécie de câmara obscura que o público podia usar para se desenhar. Uns dias antes da Lesma veio um email deles para perguntar se eu topava mudar a demonstração para um tentativa de adaptar um scanner à essa obra.
Eu não tive dúvida para aceitar. Mas pedi ajuda para conseguir um scanner Canon Lide mais antigo e eles conseguiram um na Moita.
O scanner foi aberto facilmente, a lente da lâmpada já estava meio solta e logo saiu. Inspecionei com cuidado o feixe de fibras óticas para achar a maneira mais segura de romper a cola que o prendia no lugar. Três leves estalos e ele estava solto. Assim o sensor já estava exposto. Enquanto pensava nos próximos movimentos, separei um pequeno pedaço de espuma preta autoadesiva da tampa e deixei sobre o LED RGB.
Paula Lourenço no primeiro teste com o scanner instalado na câmara dela.
Um Dremel seria útil para alargar o espaço onde antes morava o feixe de fibra ótica, não tinhamos um. Montei o scanner e coloquei no plano focal da câmara com 3 pedaços de gaffer’s tape.
A Feira da Lesma será um evento de pequena escala, que contará com a presença de vários autores convidados. A Feira poderá ser visitada ao longo de todo o Festival. No âmbito da Lesma, será apresentado um conjunto de obras, ora criada especificamente para o evento, ora apresentada ao público pela primeira vez: “Scott, papel a rolo”, António Rebolo “À Descoberta do Mistério da Luz”, Filipe Alves “Premente Permanência”, Ivan Silva “Câmara Viva”, Paula Lourenço e Mário Rainha Campos “Indumentária”, Miguel Duarte “Paisagem Consentida”, Sofia Silva
O programa completo da LESMA está a partir de hoje disponível para consulta e download em https://tiraolhos.pt/. Durante 3 dias o experimentalismo ocupará a Padaria do Povo, com manifestações artísticas, um ciclo de conversas lentas, uma feira, oficinas e demonstrações As inscrições para as oficinas abrem no dia 13 de Setembro às 0 horas. Até já!
A LESMA conta com o apoio da Direção-Geral das Artes – Apoio a Projectos: Programação e Desenvolvimento de Públicos – e com a colaboração da cooperativa A Padaria do Povo, que nos dará abrigo, a Associação Oficina do Cego, parceira na criação dos posters LESMA, e do Colectivo Tripé.
O ciclo de Oficinas programado no âmbito da LESMA conta com a participação de vários autores, nomeadamente: António Rebolo, Alexandre de Magalhães, Imagerie – Casa de Imagens, Silverbox Studio, FIVE Studio Sintra, Guilherme Maranhão, Luis Pavão, Susana Paiva, Tipografia do Papeleiro Doido, Walking Camera Project e Tira-Olhos.
Ciclo de Conversas criado por José Soudo para a LESMA, que decorrerá nos dias 25 e 26 de Setembro na Sala dos Fornos da Cooperativa A Padaria do Povo, em Campo de Ourique. Este ciclo contará com a participação dos seguintes autores: António Campos Leal , Nuno Pinheiro, Alexandre Ramos, Luís Rocha, Guilherme Maranhao, Luís Ribeiro, Ângela Berlinde, Alexandre de Magalhães, Paulo Tribolet, Camilla Watson, Luis Pavao, Adriano Miranda, Leonel de Castro, Pauliana Valente Pimentel, Sandra Rocha, Filipe Figueiredo, Flávio Andrade, João Mariano, Fernando Marante, Ana Caria Pereira, Susana Paiva e Paula Figueiredo.
Há uns anos, ainda em São Paulo, explorei o software Gawker e uma webcam que eu tinha na época para criar alguns timelapses a partir da janela do ateliê da Rua Tabapuã. A primeira experiência foi aqui e a segunda aqui.
Recentemente encontrei alguns itens no lixo de Braga que me fizeram lembrar daquelas experiências e me deram novas idéias.
As objetivas das webcams tem algo em torno de 5mm de distância focal, logo usar uma objetiva 20mm seria como adaptar um teleobjetiva.
Desmontei essa objetiva mount NX que apareceu no lixo para deixar o diafragma mais aberto, numa posição que permitisse mais luz no sensor.
Enquanto isso explorei o interior da webcam para saber o que tinha por lá e qual o tamanho do sensor.
Uma vez que todos os componentes foram explorados e desmontados, com madeira fininha (de uma caixa de frutas) fiz uma prova de conceito da montagem dessa objetiva com o sensor da dessa webcam.
Usei um tubinho de papel preto para impedir que luz não desejada chegasse ao sensor.
Apontei a câmera em direção ao vale do Rio Cávado, na direção Norte e gravei por uns minutos.