Minha contribuição para a programação inclui uma palestra sobre imagens únicas (impressões irreprodutíveis), uma versão do workshop Armadilha para o Acaso e uma versão do workshop de Construção de Câmara Digital Artesanal, tudo em inglês.
Já falei aqui no passado (quando fui no EXP20) e volto a falar: vale ver a página de transparência do site do festival. É uma maneira muito bacana de olhar para a organização desse tipo de evento.
Aproveita e faça sua inscrição para o festival e venha conhecer Barcelona e curtir esse evento!
Esse início de ano eu encontrei uma câmara Super8 no lixo. Estava partida ao meio, mas não parecia ser algo muito grave. Me debrucei sobre ela numa tarde de sábado e consegui consertar o mecanismo. A queda deixou suas marcas, mas tudo voltou para onde deveria, não tenho filme para testar. O episódio me fez abrir minha caixa de ferramentas e serviu de inspiração.
Desde então, três câmaras distintas habitam a minha imaginação: uma câmara 120 para usar o filme infravermelho que vem do Brasil, uma câmara panorâmica baseada nas ideias do Marco Kröger com a Exa, por fim uma câmara-scanner feita para realizar a varredura automaticamente.
A câmara 120 parece uma ideia razoável já que poderei fazer uma boa quantidade de filme 120 infravermelho. Já consegui bobinas e papéis de filme 120 com um laboratório aqui em Portugal e vou fazer os filmes como já mostrei aqui no passado. Ao longos os últimos anos eu vendi tudo que eu tinha que servia para filme 120. Ano passado em Bièvres, eu peguei uma Dacora e uma Coronet Flashmaster, ambas 6×6, além de uma Diana, mas não é exatamente o que eu tinha em mente. Pensei até em instalar a objetiva Mamiya 65mm na Dacora, isso poderia ser interessante.
A câmara mais complicada das três ideias é a Exa Panorâmica. Já falei do passado do porque converter uma (nesse caso duas) Exa. A Exa é muito boa para isso, já que o espelho é o obturador e os controles ficam de um dos lados e nada disso precisa ser estendido, apenas a caixa do espelho, o corpo e o espelho/flap. Revisitei o site do Marco Kröger para olhar sua ExaRama (o link está nesse outro post). Eu até escrevi um email para ele, mais ainda aguardo resposta. Num dos vídeos ele corta as peças com um arco simples, usa uma lima para dar o comprimento correto de cada ponta e depois solda as peças com um ferro de solda simples.
Câmaras panorâmicas em geral são do tipo rangefinder (Hasselblad XPan é o grande exemplo) ou tem uma objetiva que gira (Widelux e Horizon). Um projeto interessante de rangefinder é a FauxPan, relativamente fácil de fazer, mas depende de uns itens mais caros. Não consigo pensar numa panorâmica reflex que tenha sido feita em série. A solução do Marco Kröger é genial nesse sentido e dá uma versatilidade incrível ao resultado. Não me leva a mal, já tive uma Horizon Kompakt e adorava aquilo!
Relendo aquilo que eu tinha escrito aqui, me perguntei se seria possível fazer isso com filme 120, visto que ela já resolvia a questão inicial relativa ao filme infravermelho. Ao invés de construir uma nova câmara de médio-formato e ficar pensando em fazer outra para panorâmicas, aproveitar uma Hasselblad emprestada é muito mais simples. Joguei umas palavras-chave no Google e acabei descobrindo o site de um fotógrafo chamado Lou Zurn. O Lou também percebeu a versatilidade do conceito de uma panorâmica reflex, mas a solução dele foi um tanto mais simples: modificou um back 12 da Hasselblad para 28x56mm, fazendo 24 fotos num rolo de 120. Talvez o resultado final seja maior e mais pesado que a ExaRama do Marco Kröger, mas não envolve habilidades tão complexas na oficina. Talvez a Mamiya 65mm no lugar da objetiva da Dacora e uma máscara 28x56mm resolva essas duas em uma.
A câmara scanner pode ser uma boa ideia se não incluir muitas peças complicadas de fazer ou que necessitem ser impressas, por exemplo. Recentemene o PetaPixel postou mais uma vez sobre uns caras que fizeram câmaras usando scanners da Epson. Se você seguir os links e for fuçando, você acaba chegando ao Flickr do Dario Morelli. Aqui tem bastante informação interessante e algumas idéias geniais!
Minha impressão é que os caras usam scanners Epson provavelmente para tirar proveito dos 16-bits por canal. Mas os Epson atrapalham muito na questão do funcionamento porque fazem calibrações automáticas por si só. Minha primeira reação foi pensar que seria mais fácil com um outro scanner, como os HP que eu uso nas minhas câmaras-scanner. Me arrisco a ter problemas com imagens de 8-bits por canal. Mas será mesmo ruim? Tudo que eu fiz com scanners-cameras até agora foi com 8-bits… o que não quer dizer que seria bom.
Me parece que é essencial manter o CCD paralelo ao plano de foco durante a varredura. Me agrada a ideia de fazer um alvo branco retrátil do lado de fora, para facilitar a calibragem, mesmo que esporádica. Os caram fizeram uma câmara com uma lente de projeção fixa e outra com baioneta Mamiya 6×4,5. Eu talvez precisasse fazer a câmara com um fole para poder usar lentes de ampliação ou de câmara de grande formato: 50mm EL-Nikkor, 60mm Bogen, 75mm EL-Nikkor, 65mm Mamiya-Press, 105mm Topcon, etc.
Fui convidado pela Ana Sousa para participar de um livro com o trabalho de diversos fotógrafos que usam fotografia analógica. O livro é editado por José Godinho e será o primeiro volume da série Analógico.
Também estão nesse primeiro volume os trabalhos da própria Ana Sousa e do Bruno Guerreiro, Daniel Rosa, João Ribeiro, Luís Fernandes, Mariana Afonso, Miguel Machado, Nuno Martins e Tiago Thedim.
O Nuno Martins fez um vídeo mostrando e contando mais detalhes da publicação, vou fazer o link a partir dos 8′, quando aparece a minha parte nessa história, mas se você quiser ver do início, basta puxar para lá:
Ainda não recebi meus exemplares, mas eles devem estar nas mãos do CTT em algum lugar entre a GOD Publishing e aqui.
Recebi recentemente o número de 2022 dessa revista sobre fotografia analógica que é produzida pelo Kalamari Klub, um coletivo sediado em Heidelberg, Alemanha, junto a um grupo de pesquisadores de física quântica da universidade de Heidelberg.
O número de 2022 é a segunda edição da revista. Participei do open call e fui selecionado para participar com imagens da série Transe.
Essa edição é entitulada Rauschen, palavra em alemão para o ruído como o dos sensores de fotografia digital.
Essa edição apresenta fotografias de 46 artistas que “exploram os mundos da arte e da ciência usando fotografia analógica” com muito espaço e cuidado, no design e na impressão. A edição traz com um pequeno texto de abertura que conta um pouco da história do coletivo, do trabalho junto aos pesquisadores e de como surgiu a revista.
Conta também com um texto de Pablo Giori sobre a história da técnica fotográfica e sobre fotografia experimental, além de uma entrevista feita pelo coletivo com os dois artistas que participaram das residências promovidas dentro da colaboração com os pesquisadores. A edição termina com uma ficha técnica sucinta.
O design de Daphne Braun é correto e elegante. As fotografias são acompanhadas dos nomes de seus autores e dos seus respectivos títulos. Alguns grupos de imagens tem também um pequeno verbete que explica o trabalho ou a situação como o trabalho foi criado.
Se eu pudesse falar de um incômodo, é que poderia haver um pouquinho mais de texto explicando essa opção ou algum texto que ligasse o nome da revista, o título da edição e os assuntos tratados por Giori. Maybe: será que passaríamos pelo Princípio da incerteza de Heisenberg? Rauschen: sobre a Relação sinal-ruído? Giori definitivamente bebe em Flusser, para quem o aparelho é um brinquedo que simula um tipo de pensamento. Onde chegaríamos?
Vale a pena visitar o site da gráfica que imprimiu a revista tão bem. É no mínimo curiosa a maneira como as pessoas que trabalham lá se apresentam das imagens, não vou explicar mais para deixar o suspense no ar.
‘Silicon Based Photography’ é um workshop programado no âmbito de uma unidade curricular do Mestrado em Fotografia da ULHT, que conta com a minha orientação.
O workshop começará com uma apresentação sobre o processo de formação da imagem fotográfica, reflectindo sobre as etapas-chave que determinam a visualidade da imagem. Essa reflexão abrirá caminho para discutir e experimentar com diferentes formas de intervir numa imagem digital, criando uma lista de ações possíveis. No decorrerer do workshop serão feitas diversas experiências, nomeadamente: 1. Explorar a luz visível com capturas digitais sensíveis ao infravermelho; 2. Explorar o uso de canais de cor em softwares de edição; 3. Explorar diferentes formatos de sensor com capturas que usam CCD lineares; 4. Explorar algumas interferências em impressoras inkjet.
O workshop decorrerá nos dias 27 e 28 de janeiro e terá a duração de 12 horas, havendo 6 vagas para participantes externos ao Mestrado em Fotografia da ULHT, por 70€.
As 12 horas de workshop estão distribuidas assim: 27/01, sexta – 11h às 12h30 e 14h às 18h e 28/01, sábado – 10h às 12h30 e 14h às 18h
Para participar como aluno externo, deve concluir o registo aqui.
Lembrem que contei sobre essa exposição do projeto Actum num post anterior e disse: “…a mim interessa uma que fala do experimentalismo. Minha proposta foi então sair em busca de uma imagem desconhecida e encontrá-la quase da mesma maneira que a Ilha Desconhecida é encontrada no conto. Ou seja, fotografar uma cena que só existe enquanto o fotógrafo e câmara lá estão.”
Entitulei o trabalho de “Enquanto Estou Aqui”. A palavra “Aqui” se repete se olharmos o título do trabalho que fiz para a edição anterior desse projeto. Bom, aqui é uma enorme novidade na minha vida, se explica.
Hoje, mais cedo, abriu a exposição que ficará no Palácio do Raio até dia 25 de fevereiro.