Esculturas em alumínio

Ontem entrei no laboratório para ampliar algumas imagens como há muito tempo eu não fazia. Fiz contatos de vários negativos das fotos das esculturas em alumínio. E depois fiz umas ampliações. O resultado dos negativos tamanho 13x18cm é muito diferente do que se está acostumado a ver em uma ampliação de um negativo 35mm, o desfoque e a profundidade são o primeiro choque, mas tem outras diferenças mais sutis.
Usei papéis bem antigos, um Agfa Brovira literalmente pré-histórico e uns outros papéis não-identificados que um amigo me deu. Depois experimentei um pouco de papel da marca Talbot, uruguaio, com acabemento prateado, um papel fibra bem estranho, mofado demais e com uma velatura intensa, não rolou.
O leve movimento das escultura foi captado nas fotos, o filme de ISO 3 pediu uma exposição de 10 segundos, com a lente bem fechada sob a luz da nossa estrela. Não sou escultor e por óbvio as fotos ficaram mais interessantes que as dobraduras de metal.

Intencionalidade e Comprometimento

É um emaranhado de coisas. Hoje uma visita ao meu ateliê me fez pensar em toda a complexidade que há nessa história de intenção e resultado, seja na feitura de uma imagem, seja nas escolhas em uma carreira de artista.

Às vezes os resultados surgem nas fontes mais inusitadas. E tem sido um caminho longo até chegar a certos lugares. Tantas coisas outras que tem que ser feitas antes das que realmente queremos fazer.

Pensei muito no filme Santiago. De um dos Salles. De como fiquei feliz quando o filme acabou e não tinha nenhum logotipo de nenhuma empresa, de nenhum orgão federal. Aquele filme é dele, do João. Bom, é verdade que eu não tenho nem pai diplomata, nem avô barão, mas com a sucata eu viabilizei algumas imagens sem o logo do MinC no verso. E o João não fez o filme assim de bate-pronto, levou um bom tempo, para juntar a energia suficiente para pô-lo em movimento. Parece que a coisa funciona assim, tudo tem seu tempo, cada foto, cada trabalho, cada ensaio, cada série, cada exposição, cada publicação, cada contato, cada amizade, cada solução, cada impressão.

E a gente tem que perceber que nós somos um, nosso trabalho é outro, cada um a sua velocidade, cada um tem seu alcance.

A formação da imagem fotográfica

“Uma constante no meu trabalho, ir em busca de alterações no cerne do processo de formação da imagem, subverter a ferramenta produzida pela indústria.”
Escrevi isso um outro dia aqui. Desde esses dias tenho pensando muito sobre o tal processo de formação da imagem. Invejando ingenuamente a capacidade de criar densidade nos conceitos do Flusser, de tornar palavras simples como jogar coisas complexas que explicam muito sobre a fotografia, resolvi tentar formular uma afirmação sobre o processo de formação da imagem onde seria possível encontrar os seus fatores primordiais dentro do que é a linguagem fotográfica. Esses fatores são os que eu supostamente altero quando executo meus trabalhos, ou seja, será que eu realmente faço aquilo que descrevi na primeira sentença? Gostaria de chegar a um resultado que fosse “universal” dentro do pouco que conheço. A idéia é criar uma coisa mais abrangente para abrigar as várias maneiras diferentes de se trabalhar e formular um denominador comum entre os processos digitais e analógicos. Comecei com algo com dois parágrafos, fui editando, mudando palavras, acabei com: Uma imagem fotográfica se forma quando o objeto fotossensível exposto à luz é processado.
Daonde tiro os 3 fatores: o objeto, a luz e o processo. Existe, é claro, um repertório de possibilidades para cada um desses fatores, no lado prático das coisas, o objeto em si pode ser um filme fotográfico, um papel fotográfico, um CCD ou um CMOS, uma emulsão de cianótipo sobre uma matéria qualquer e por ai vai; a luz pode ser uma projeção de uma lente ou de um orifício, a própria sombra do assunto, uma velatura pela luz ou pelo tempo; o processo é algo que tanto pode ser feito por contato com líquidos de alguma maneira ou dentro de um computador, incorporando ruídos em ambas as possibilidades, e a posterior montagem.
Isso me serve pelo menos como uma premissa para explicar mais adiante meus fazeres e meus estudos fotográficos.

PowerMacs obsoletos

Tava lendo o comentário do Malva sobre leite, 50mm com fungo e etc, pensando em como está sendo difícil achar um novo lar para dois computadores dos quais quero me desfazer. Hoje coloquei o segundo post num forum de macintosheiros, são dois PowerMacs 8500 (sem HD nem CD) mas em plena forma. O fato é que em virtude das doações que recebi há duas semanas atrás comecei a rever o entulhamento do meu ateliê. Consegui que levassem um PowerMac 8600 hoje pela manhã, mas esses dois ainda não rolaram. Vai ver que é o calor ou a baixa umidade. Às vezes acho que só uns com parafusos a menos para ir atrás de certos lixos.

Nada a perder

Meu primo Claudio que adora uma aventura sempre aparece com um desafio para mim. Da última vez eram 2 lentes problemáticas. A 28-90 havia caído no chão, o foco não girava. Lente de plástico é um negócio complicado. Consegui desmontar e montar de novo, ficaram pedacinhos de plástico preto pela mesa toda, mas a lente funcionou. A 80-200 de plástico também estava dura, mas era o sal na rosca do foco (a lente deu um mergulho no mar), tive que encontrar um espaço para jogar graxa na rosca e com movimentos suaves fui fazendo a lente voltar a mexer. A sujeira que havia em um dos elementos ficou lá, impossível desmontar sem quebrar.
De outra vez foi uma Canon Rebel. A câmara também deu um mergulho, ou o caiaque virou, já não lembro, mas era água doce. A câmara até ligava, mas de repente parava no meio do rolo de filme. Estranho. Usei um método secreto: a câmara ficou uma semana toda sobre o mármore da janela do ateliê pegando sol. Secou mesmo! E funciona impecavelmente até hoje.