Porto Alegre • Natal de 2007

POA – Fui ao brique (a feira de antiguidades dos gaúchos) em busca de câmaras antigas passíveis de reformas, fotografei tudo com Plus-X super-vencido na 6×4,5.

Achei, não no brique, mas através da internet, um equipamento fotográfico modificado artesanalmente. É uma câmara Exa que foi instalada em uma tábua de madeira para fazer fotos 3×4, o segredo é que o negativo fica já do lado de lá da tábua, que estaria dentro do laboratório e pode ser cortado um a um evitando o desperdício de filme.

É a segunda Exa que eu vejo em modificações do tipo. Essa câmara parece a preferida porque tem um sistema de avanço do filme que aceita várias mudanças simples. O botão de avanço puxa o filme e é o próprio filme que fazendo girar o “sprocket” arma o obturador e levanta o espelho. Ambas as câmaras foram adaptadas para operar com 30m de filme de uma vez só.

Reprodução e dpis

Um amigo me pediu um favor complicado: de um papel com 8x16cm gerar uma imagem digital que possa ser impressa com pelo menos 2 metros no lado maior. Fiz um primeiro teste com um scanner de mesa comum, escaneei a 1200 dpi, mas o resultado foi terrível, muita interpolação embutida no software do scanner.

Depois tentei usando a câmara de 6MP, fiz 12 imagens de pedaços do dito original. O resultado foi demi, a luz não ficou absolutamente uniforme, mas fomos adiante e tentamos uma ampliação, a resolução não chegou lá também.

Apareceu um fole, bolei uma emenda entre o fole para Nikon e a câmara Canon, fiz uma foto, de um pedaço ainda menor do original (seriam necessárias 80 imagens para formar o arquivo final). Não fui adiante porque apareceu o scanner Lynx A3 com suas 2400 dpi, mas fiquei pensando como fazer o original mover apenas 1cm a cada imagem.

As tais 2400 dpi parecem suficientes, aguardo um teste em tamanho 20x30cm de um pequeno fragmento da imagem final.

Memórias

Caixas pretas. Compact flash e memória RAM.

Escorreguei e comprei um cartão Compact Flash de 4Gb em uma loja do StandCenter. A câmara ficou extremamente lenta, chegou um momento em que levou 20 segundos para gravar uma única imagem. Quase perdi fotos de um trabalho, a câmara demorava muito para ligar. Era um cartão dos mais baratos que podia encontrar ali, talvez fosse reformatado de alguma maneira, uma memória de baixa qualidade, algum tipo de desvio ele apresentava. Voltei lá, o rapaz nem discutiu, devolveu o dinheiro como quem está habituado (de certa forma ele sabia que não adiantaria trocar o cartão).

Na Santa Efigênia, em busca de memória Dimm para um Mac fui a várias lojas. Os preços dessa memória específica variavam entre 107 e 370 reais. Por fim, em uma última loja encontrei as ditas memórias genéricas por 40 reais. Loucura, o Mac é sabidamente um computador crica com memórias. Um dono de loja da Região da Rua do Triunfo se ofereceu para me ajudar. Ele tinha vários Macs a venda, escolhi um igual ao meu e coloquei 3 memórias de 40 reais nele (antes de comprá-las). Sem problemas a máquina ligou.

Como entender o que se passa dentro desses chips?

Banquet cameras

Em um evento que eu fotografei nessa última quarta-feira, tentei usar conscientemente o ISO 800 da minha digital. O ruído é alto, mas essa sensibilidade me permitiu fotografar a sala de espetáculos cheia, numa luz quase mínima, sem o auxílio de um tripé. Descobri que mesmo com o pé direito enorme de mais de 10m e com teto de madeira, um flash rebatido desse teto, em potência total, preenchia bem a platéia escura nessas fotos com a lente toda aberta.

Quem já vagou por sites e livros sobre câmaras de grande formato antigas talvez já tenha lido sobre as câmaras de banquete do início do século XX. Foi nelas que passei a noite pensando. São projetos simples de câmaras de formatos panorâmicos, como o 8×12″, para fazer uma única foto de todas as mesas com todos os convidados de um banquete.

Esses convidados eram chamados a posar, estáticos, para a foto, é claro, mas não era necessário flash. A lente permanecia quase toda aberta, os movimentos da câmara é que eram usados para obter foco em todo o pessoal sentado no salão. Essas câmaras em geral eram dotadas apenas dessas básculas, para colocar o foco no plano das mesas, sem possuir outros movimentos.

O filme enorme garantia a resolução suficiente para que reconhecessemos os rostos dos presentes que conseguiram ficar quietinhos.

Artigo na ZoneZero

Emplaquei um artigo na Revista do ZoneZero, é sobre Photofinish (a técnica de registrar em uma única imagem a chegada de uma corrida) e a relação que ela tem com a foto com scanner.

Sejam cavalos ou velocistas olímpicos, a coisa é bem simples, os pixels são os milésimos de segundo e no fim da corrida é só contá-los para saber qual o tempo de prova de cada atleta ou animal. Com o scanner é fácil bolar um sistema para contar quanto tempo leva cada pixel para ser capturado e dai você pode usá-lo para fazer algo semelhante ao photofinish, dá até para medir a velocidade dos carros passando na rua.