Exa modificada para 3×4

Conversei com Antonio Carlos Antunes, que me vendeu a Exa modificada por seu pai, segue aqui um trecho onde ele conta a história por trás da câmara que ficava instalada numa parede do estúdio em Porto Alegre para fazer 3×4:
“Nosso pai, Aimoré Carlos Silva Antunes, fazia fotos para documentos usando câmaras Hasselblad, programando a revelação dos filmes a cada hora. Havia porém o problema dos clientes que tinham pressa, fato que iria gerar a retirada do filme antes do horário previsto, e portanto, incompleto.
Para solucionar o problema, na década de 70, ele adaptou uma Exa para receber rolo de filme 35 com 30 metros de comprimento. Era utilizado o filme Fuji para cinema. Ela ficava na parede que dividia dois estúdios, parede esta dotada de um cubículo escuro, deslocando-se verticalmente na tábua que lhe dava suporte através de um sistema de roldanas com contrapesos. Assim, se adaptava à altura da pessoa a ser fotografada.
Com o sistema de guilhotina presente no compartimento do filme, era cortada apenas a porção exposta do filme, aproximadamente uns 15 cm, sanando assim a perda que iria ocorrer no caso da utilização do filme 120 da Hassel.
Eram colhidas, por segurança, duas imagens da mesma pessoa. O pedaço de filme era colocado dentro de uma lata no cubículo escuro e enviado à câmara escura do laboratório localizado no pavimento superior, por um sistema a ar (um aspirador de pó invertido). A latinha era aberta, o filme revelado e copiado em poucos minutos.”

Construção de um espelho de telescópio

Recentemente publiquei aqui uma entrevista que fiz com o Dan Watson, um fotógrafo norte-americano que está passando uma temporada no Brasil. Conversamos sobre os espelhos de telescópios que ele construiu ao longo da sua carreira em astronomia e ele me contou que tinha guardado uma série de fotos que ele fez ao longo de dois anos, enquanto construia o primeiro espelho de telescópio com 8.4 metros de diâmetro. Bom, convenci Dan a trazer os negativos para o Brasil depois de passar o ano novo com a família no interior do Texas. Digitalizamos os negativos e usando um editor de vídeo fizemos um stop motion com as fotos do Dan. Confira!

Duas EXAs modificadas

Uma visão da primeira câmara com adaptação para levar muito filme, talvez até um rolo de cinema de 100m. Uma engenhoca movida à mola na parte inferior traciona o filme e isso hipoteticamente arma a câmara a cada foto (nunca tentei fazer funcionar).

Bulk Exa

Já a outra câmara, numa visão interna aqui, tem um dispositivo que possibilita a remoção do seu interior somente o fotografama exposto, depois de cada foto. Não sei se a luz do flash mais ajuda do que atrapalha.

Intestino

Duas EXAs modificadas • modelo

Uma imagem para ilustrar o lance das duas Exas modificadas. O modelo escolhido por esses pessoas foi exatamente o mesmo. Não acho que seja coincidência, mas sim uma facilidade de acomodar mudanças na câmara.

 

Duas Exas

O que me chamou atenção nessas duas modificações de fontes diferentes são as coincidências, desde a câmara usada até os materiais, como o latão. Uma veio de Porto Alegre e a outra aqui de São Paulo. A Ihagee de Dresden produziu diversos modelos da Exa, mas sua câmara mais famosa foi a Exakta, a irmã maior da Exa.

EXA modificada para 3×4 • imagem

A Exa para retratos rápidos do FotoFlash em Porto Alegre. Essa imagem mostra o lado de fora da câmara, com viso angular e a alavanca de avanço do filme saindo da caixa cinza.

Do outro lado fica uma enorme bobina de filme e um pequeno compartimento onde há até uma gilhotina que corta o filme já exposto.  O fotografama era enviado por um duto de ar (propulsionado por um aspirador de pó) até o laboratório no segundo andar e os retratos em p&b eram entregues em 40 minutos (sem desperdício de filme).

Exa para 3×4 rápidos