
Experimentos com luz infravermelha em um CCD primitivo.
guilhermeMaranhão • refotografia
câmeras, scanners, filmes… quebrados, obsoletos, vencidos, mofados, estragados…

Experimentos com luz infravermelha em um CCD primitivo.
O tal véu dicróico, segundo o Rodrigo W Salles:
“Bem, que eu saiba, véu dicróico (dicróico= duas cores) é o que se forma
sobre a superfície dos filmes, após processados, quando ocorrem
determinadas condições, usualmente durante a etapa da revelação. É um tipo
de defeito que, ao exame visual, apresenta cores diferentes conforme a
incidência da luz. Por transmissão a cor varia do vermelho ao laranja, e
por reflexão é verde amarelado.
É composto por prata metálica que se deposita no lado da emulsão.
O véu dicróico é facilmente produzido em filmes de alta sensibilidade (ISO
400 pra cima), quando revelados em reveladores que contenham solventes de
prata, como sais de tiocianato.
Também pode aparecer o dito quando o filme é fixado num fixador não ácido
ou mesmo sendo ácido, que esteja esgotado. Filmes subexpostos estão mais
sujeitos ao véu dicróico por terem quantidade maior de haleto de prata não
revelado, estando os últimos portanto disponíveis para a formação do tal véu.
A melhor maneira de retirar o o diabinho, segundo os irmãos Lumière, que
investigaram o problema, é uma solução de permangantao de potássio seguida
de um banho de sulfito.”
Fuçando no passado para fazer updates no glossário encontrei isso.
O décimo primeiro post desse blog era sobre um pequeno livro. Um livro inspirado em alguns relatórios chamados de Improper Shipment Procedure Records.

Naquela época eu procurava uma impressora laser meio baleada para voltar a fazer esses trabalhos. Fiz esses livros enquanto fotografava peças metálicas que chegavam enferrujadas em uma fábrica. Cada foto mostra um defeito. O livro virou ISPR.

Essa foto eu fiz num museu em Hamilton, no Canadá. Esse trabalho me deixou enlouquecido.
A técnica da aquarela tem um jeito de lidar com a noção que temos de positivo e negativo (como na fotografia), porque a a transparência da aquarela permite pintar o fundo, deixando o branco do papel transparecer.
Esse figura encontrou um jeito de mudar a madeira, trabalhando no negativo, como se faz quando se cria uma matriz de xilogravura, mas com fogo. As chapas de compensado estavam chamuscadas enegrecidas, a raspagem desse enegrecido deixava transparecer a cor da madeira. E os dois garotos apareceram na hora certa, ou talvez eles ficassem lá o tempo todo e eu não tenha me ligado que eles faziam parte da obra, afinal era coincidência demais.

Usei novamente o filme ISO 3 em tamanho 5×7″ que havia usado com as esculturas de alumínio. O filme é da Kodak, chama-se Gravure Copy. É ortocromático, ou seja, sensível ao azul. Pode-se usar luz de segurança com filtro vermelho durante a revelação. A caixa sugere usar o DK-50 ou o D-11 como reveladores. Eu optei pelo Agfa 108 que é o revelador de papel que eu uso. Porque revelador de papel? Ah! O filme está vencido desde os anos 70, precisa um pouco mais de acelerador para dar aquele contraste. O revelador de papel também traz bastante redutor, brometo, para limpar a base que tenderia a ficar cinza demais por conta da idade.
O resultado é interessante, com altas luzes brilhantes.
O DK-50 é um revelador para fotos de luz controlada, que pode dar bastante contraste, mas não o suficiente. Se diluido e com um pouco mais de acelerador é um ótima alternativa para revelar um Tri-X vencido.
Em Flusser temos o seguinte:
“Capítulo 6 – A Distribuição da Fotografia
As características que distinguem a fotografia das demais imagens técnicas se revelam ao considerarmos como são distribuídas. As fotografias são superfícies imóveis e mudas que esperam, pacientemente, serem distribuídas pelo processo de multiplicação ao infinito. São folhas. Podem passar de mão em mão, não precisam de aparelhos técnicos para serem distribuídas. Podem ser guardadas em gavetas, não exigem memórias sofisticadas para seu armazenamento.”
E por isso hoje começa uma outra oficina. Vai ser no Pompéia, sobre pequenos livros em pequenas tiragens.