Isadora

Recentemente fui fazer uma foto para uma revista que ainda não existe. A personagem é Isadora, ela é surda e adora dançar. Isso por si só assunto para uma vida.

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Mas o fato é que uma das imagens resultantes desse ensaio suscitou inúmeras discussões dentro de mim. Cheguei ao local da foto e fiquei de papo com duas pessoas, uma delas a responsável naquele dia pelo espaço onde a foto seria feita (uma escola de dança). O atraso da fotografada foi providencial, o papo foi indo, lá pelas tantas falamos de vizinhos, ela apontou triste o toldo verde todo furado pelos cigarros jogados do prédio acima da escola.

Olhando o toldo comecei a refletir sobre a incompreensão entre as pessoas, o gesto de jogar uma bituca acessa pela janela de um prédio quando se sabe que o vizinho está logo abaixo, a história de busca de compreensão por parte de Isadora, imaginei a dança dos pontinhos brilhantes ao redor dela.

A foto nasceu naturalmente.

Mais tarde pensei que os furos eram pinholes e no momento da foto sobre mim eram projetadas inúmeras imagens das casas dos vizinhos de cima da escola de dança. Não parei para contar quantos pontos são. Talvez seja legal voltar lá num dia de eclipse do Sol e fotografar o chão de pedras onde deitei para fazer essa foto!

Filme vs Digital

Preto-e-branco digital?

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Hoje em dia, se eu falo Tri-X na sala de aula todo mundo fica com cara de interrogação. É verdade que está cada vez mais difícil de encontrar esse filme p&b no mercado brasileiro.

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O segredo ou solução foi fazer um preset de lightroom paradar o contraste do Tri-X puxado para 800 no digital. Não é nada do mesmo, mas um coisa nova que agrada também, nostalgia é bom, mas não ajuda na hora de fotografar, principalmente debaixo da chuva!

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Ao mesmo tempo que o filme foi sumindo do mercado e o digital foi tomando seu espaço outros avanços tecnológicos foram surgindo, como os vários controles possíveis do flash, a compensação de exposição direto no visor, sem ter que tirar o olho do assunto, coisas que ajudam no dia-a-dia de um fotógrafo que gosta de capturar instantâneos. Coisas que tornam essas fotos aqui possíveis.

Campus Party • programação

Terça 15h – Mesa Bits e Volts na Unha

Quarta 17h – Como fazer Boas Fotos com uma Camara Tosca

Sexta 15h – Demonstração Refotografia com Scanner

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Uma fotinho da bancada onde me instalei no CP junto ao pessoal do Metareciclagem. Um evento diferente onde as pessoas trazem seus aparelhos para conviverem juntos. O Vilém com certeza ia se divertir bastante criticando tudo isso. Eu queria muito saber se sou o único que trouxe câmara de filme para cá.

Campus Party • preparação

Separando imagens de sucata e lixo para levar numa apresentação do Campus Party.

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A idéia é criar um workflow de equipamento obsoleto para gerar essas imagens. Digitalizei fotos em papel e negativo, juntei com outras digitais, transformei tudo em PB imprimindo em filme TMax 100 vencido pelo Palette. Agora vou ampliar em papel PB dos anos 70.

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Aproveitando isso estou fazendo alguns testes para calibrar o Palette de uma maneira externa, já que o calibrador dele se foi. Para isso estou reduzindo a quantidade de preto nas imagens, usando o comando Curves do Photoshop. Estou imprimindo as imagens duas vezes, tentando achar o ponto ideal para essa redução. O input 0 (zero) está virando output 30 e 60. Os negativos que tiverem os melhores detalhes de sombra revelarão a melhor maneira de usar o Palette.

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Tenho me divertido encontrando impressoras inkjet que tem cabeças entupidas ou problemas de movimentação da cabeça, gerando imagens um tanto diferentes.

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Aproveito os problemas com imagens que são problemáticas também, ou no caso das multifuncionais, escaneando assuntos que completam a situação, como acima.

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Abri assim uma nova frente de reaproveitamento de fotografia digital.

Point-and-Shoot 5×7″ • pronta!

Era um sonho antigo construir uma câmara formato 5×7″ para fotos com uma grande angular. Como a que o Bill Brandt usava para fazer suas fotos distorcidas. Tá pronta!

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A intenção aqui não é fazer nada parecido com o que ele fez, mas sim ter uma câmara ágil para fazer panorâmicas do Campus Party agora em Janeiro. Usando filme Plus-X nesse tamanho, aberturas em torno de f/45, deve dar um tempo bem longo. A lente é uma Zeiss Protar 90mm f/18.

Estou pensando em ir para lá somente com câmaras que eu fiz: essa 5×7″, uma câmara scanner e uma médio formato improvisada também, para fazer alguns retratos.