Construção de Câmara Digital Artesanal no Pompéia

A oficina de construção de câmara digital artesanal com sucata de scanner no Pompéia rendeu imagens interessantes. Putz, fiquei super feliz, quem fez a oficina não teve que desenbolsar um tostão, a oficina foi gratuita!

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Semana que vem posto mais imagens e uma galeria inteira para quem participou. Obrigado a todos que se retorceram para aparecer nas fotos e cansaram os joelhos de tanto se escanear.

Paraty Em Foco 2009

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Paraty Em Foco foi super interessante. O evento continua um sucesso. Quando chegamos quarta-feira a cidade ainda guardava um certa calma e tranquilidade. Na medida em que o sábado se aproximava, vi mais e mais pessoas com suas câmaras lotando as ruas da cidade.

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Momentos muito bons: entrevista com Francesco Zizola onde se falou de estética e conteúdo na fotografia, sobre Photoshop, Flickr e outros; papo aberto com Diógenes Moura, super informal e direto ao ponto lá no Cinema Velho, franco, aberto, inspirador; entrevista com Rosângela Rennó, instigante; pode entrar no trailer do Cidade Invertida e ver a Matriz de ponta-cabeça; fotos noturnas no caís de Paraty; reencontrar amigos e ficar de papo-fotográfico-nonstop.

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Já falei disso aqui na época do Campus Party. É a questão do que se deve levar a um encontro desses. Como o encontro era em Paraty ninguém esqueceu de levar câmara fotográfica, o encontro funcionou como uma grande saída fotográfica. Mas isso é um lance individual, ou seja, cada um aproveita isso só, não há muita discussão e conversa na hora de fotografar entre colegas. No âmbito do encontro, do festival, se presume que as pessoas estão indo lá também para conversar sobre fotografia. As entrevistas, palestras, projeções são pontos de partida para essas conversas. O outro ponto de partida são os trabalhos dos próprios fotógrafos que estão indo ao encontro. E ai, eu imagino que o mínimo que se deve levar a um encontro é uma pequena pilha de fotos impressas ou um laptop com imagens eletrônicas. Isso é o mínimo. Assim, quem quer que você encontre terá a possibilidade de ver o que você anda fazendo. O programa do festival tinha um guia de sugestões que incluia algumas sobre isso, inclusive algumas noções de etiqueta para encontros do gênero, vale a pena ler no site do Paraty Em Foco. Na verdade esse é o motivo básico com encontro, para que essas informações passem a diante, para outros saibam o que você anda fazendo fotograficamente. Foi bacana porque o pessoal da Emporium montou um bureau de impressão no meio do encontro, o que gerou uma exposição coletiva caótica dos participantes que lá levaram fotos para serem impressas. Esse foi um jeito bacana de promover esse conhecimento do que se faz ali ao seu lado. No meu caso, eu levei para Paraty um monte de idéias que eu queria discutir, perguntas, levei também um boneco de um livro que eu estou preparando que eu mostrei para quem tive a oportunidade de encontrar com calma lá. A proposta de dar uma aula experimental por lá no fim ficou abalada pela correria que é participar do festival em si.

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Já no fim da entrevista com a Rosângela Rennó alguém perguntou para ela porque ela havia matado aquelas câmaras (as do projeto Última Foto). Para quem não sabe ela emprestou a 42 fotógrafos câmaras que ela adquiriu de feirinhas de antiguidades para que eles fizessem a última foto daquela câmara e depois pintou as lentes das câmaras de preto. Muito se falou da felicidade ou da infelicidade das perguntas realizadas durante as entrevistas e palestras. Essa também causou. Mas a resposta foi muito interessante e abriu uma fala por parte da artista que me interessou bastante. Ela explicou que essas câmaras tinham deixado de ser objetos esquecidos nas feirinhas e passaram a ter uma vida especial dentro de museus. Que o valor delas ali, com as lentes pintadas era cada vez maior, pela transformação que elas poderiam causar nos observadores delas ali, pintadas e expostas. Dai ela explicou o mecanismo que age dessa forma, onde esse pensamento se apóia. “O ruído é que ativa o observador.” Pirei. Acho que essa argumentação é tão importante. Fez um sentido enorme ouvir isso ali.

Imagens Irrecuperáveis

Essas oficinas que envolvem informática tem uma tendência óbvia de repetirem o que eu um dia chamei de “a revolta das máquinas“.

E assim eu esperava que tudo acontecesse e assim parecia estar acontecendo. A oficina era um experimento envolvendo um software de recuperação de dados, um HD lotados de imagens e outros arquivos e uma galera ávida por ver uma imagem sequer.

O pressuposto da atividade era que o software falhasse. No entanto toda vez que abríamos uma pasta contendo os arquivos recuperados pelo programa, através do File Browser do Photoshop CS, lá estavam todos os thumbnails das imagens resgatadas, impecáveis.

Nos debatemos com essa situação dois dias inteiros e nada do programa falhar. Até que hoje abrimos uma das imagens e sim! a imagem estava corrompida, mas por alguma razão absurda o CS ainda conseguia gerar um thumbnail perfeito para ela. A proposta era obter imagens corrompidas e conseguimos!

Quanto tudo que tinha que dar errado estava dando certo eu realmente fiquei chateado. Mas era um grande engano, tudo deu errado, como esperado e foi lindo.

As impressoras resgatadas do centrão voltaram à vida e conseguimos imprimir umas 4 fotos antes de estragarmos completamente o cartucho de tinta que estávamos usando.

Diafilme

Em 1997 fui a Curitiba por conta de uma matéria de jornal. Tive um fim de tarde livre e sai para passear ao redor do hotel. Achei uma lojinha muito interessante de fotografia com coisa que não via em São Paulo. Aquilo ficou guardado.

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Estive por lá no fim da semana passada e tentei repetir o trajeto do passeio, reencontrei a Diafilme Materiais Fotográficos perto da Pça da Ordem, ali na Travessa Nestor de Castro, 255 loja 08. Para minha surpresa a loja ainda mantem alguns apetrechos para laboratório nas suas prateleiras e também alguns papéis fotográficos difíceis de achar por aqui.

Com um serrote

Hoje terminei uma nova engenhoca. Uma mistura de câmara 3×4 com um back 4×5″ para filme em chapa.

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São seis lentes que disparam de uma só vez. Mas a câmara pode ser rearmada indefinidamente, ou seja, basta tampar uma ou mais lentes na hora da foto para deixar aquela área do filme intocada, depois destampar essas e tampar outras que já foram expostas. Enfim, dá para inventar um modo Lomo Action bem lento para a câmara 3×4.

O foco é fixo e fica a mais ou menos 1 metro. O diafragma vai de f/8 a f/22, chique! Há provisão para flash (PC e Hot Shoe): uau!

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Teste? Ainda não, mas em breve.

A câmara veio com um back Polaroid instalado, foi só desaparafusá-lo e recortar tanto a câmara tanto o novo back com um serrote para que os dois encaixassem. Funcionou. A boa e velha cola quente deu um jeito. Por cima dela colei pedacinhos de GatorFoam preto para dar um toque gambiarra na câmara e garantir que a luz ficará fora e o escuro dentro.

Descobri que a alavanca de armar o obturador por ser usada em conjunto com o disparador para “travar” a câmara “acidentalmente” aberta, o que pode ser bem bacana para fazer o foco e planejar as imagens. Idéias!