Bieka DFV

Encontrei um manual da câmara fotográfica Bieka que era produzida pela D.F.Vasconcellos S/A ou DFV. A câmara utiliza filme 120 e faz 8 fotos de tamanho 6×9.

O plano do filme é curvo na Bieka, acompanha o desenho do corpo na parte traseira. Vamos ver como isso funciona.

O prédio da DFV ainda está ali na Av Indianópolis e ainda possui o observatório astronômico no telhado, mas não acho que ele seja tão imponente como o da gravura.


“Outros produtos da nossa produção!” Hilário.

Colex • recapitulando

Em agosto de 2009 eu fui a Uberlândia buscar uma Colex. Depois de um ano e meio, finalmente enchi ela de água e testei seu funcionamento. Deu tudo certo! Nesse post eu gostaria de recapitular os passos que me trouxeram até aqui.

Uberlândia é um lugar onde um pó de terra vermelha entra em tudo e a Colex não foi exceção. Quando chegamos de volta a Sampa, na garagem do prédio, antes de subir para o estúdio, um banho de mangueira foi o início dessa reforma. Uma esponja com detergente ajudou a remover uns pontos onde a graxa se juntou à terra.

Em outros posts mais antigos já fiz menção ao conserto feito em alguns roletes que tinham o eixo danificado. E também sobre a remontagem de racks. E sobre o carrinho que construi para ela.

O próximo passo foi descobrir como tudo funcionava. O Robert da Colex foi gentil e me enviou um pdf com manual de instruções da colette (modelo da minha processadora), o link leva ao manual que tem 420Kb. Conversei com o Marquinhos no Senac e com o Gibo para obter algumas dicas do funcionamento da máquina e isso foi muito bom.

Com o manual lido, pesquisei fornecedores de químicos para RA4, pesquisei os volumes das embalagens e como eu faria as impressões. Foram dias e noites na internet pesquisando as experiências de outros fotógrafos e suas processadoras, diluições e procedimentos.

Numa folha de papel A3 comecei a desenhar a infraestrutura necessárias para ligação da máquina (elétrica e hidráulica) e comecei a planejar as tarefas para isso acontecer. Ao mesmo tempo abri a máquina e comecei a desligar peças que não seriam necessárias. Desisti de usar o sistema de reforço automático e o aquecimento da própria máquina.

O Gibo me garantiu que as resistências que aquecem o ar da secagem só gastam energia elétrica e superaquecem a máquina, removidas!

Sem esses sistemas o consumo elétrico da Colex seria bem menor e a amperagem da tomada poderia ser normal. Vale a pena ler por ai muitas histórias de sucesso com o RA4 em temperatura ambiente.

Lubrifiquei a correia principal. Rearranjei a posição das mangueiras dentro da máquina e ajustei comprimentos e retirei pontas estragadas. Tirei a válvula solenoíde junto com o aquecedor e a bomba de circulação da água quente. Sairam também a bomba de reforço, as mangueiras dela e toda a fiação elétrica que ligava esse pessoal todo.

Com cola quente reorganizei todos os fios elétricos que ficaram na máquina. E limpei tudo, várias vezes mais, mas ela continuava imunda. Fiz alguns reparos cosméticos, rebitando o alumínio da “fachada” onde ele havia se soltado e desamassando a caixa de metal da entrada de papel, removendo cola da tampa da entrada.

Colei o tubo do esgoto da última lavagem, que era meio óbvio que ia vazar bastante. Troquei várias abraçadeiras enferrujadas nas mangueiras. Aproveitei um resto de tinta epóxi e pintei o interior da Colex, nos pontos onde a madeira da estrutura tinha ficado tanto tempo encharcada que já começava a apodrecer (medo de vazamentos!). Fiz novos tubos que estabalecem o nível de líquido nos tanques.

Escovei os roletes de espuma da secagem para tirar pó e pelinhos (mas não foi suficiente).

Juntei as pontas das mangueiras de escoamento de líquidos e acertei o comprimento delas. Coloquei as pontas todas dentro de uma caixa de PVC com uma saída única para uma mangueira que fosse até o ralo. A caixa serve para evitar que se forme muita pressão na mangueira e também que evitar que uma mangueira ramificada vire uma série de vasos comunicantes e químicos contaminem outros químicos em outros tanques.

Bifurquei a torneira do tanque do estúdio, adicionei um conector ali e uma mangueira de água limpa. A mangueira se junta a da entrada de água da máquina com outra conexão, que por sua vez se ramifica para encher os dois tanques de lavagem da máquina.

Então ontem, finalmente, liguei toda a parte hidráulica e comecei a encher a máquina de água para ver como funcionava antes de mais nada a saída da água. Foi sábio começar assim, o engate rápido que escolhi só permitia o fluxo de água num sentido e quase houve um transbordamento. Com a máquina toda aberta e sem os racks com roletes dentro, enchi os tanques com 4,5l, metade da capacidade total que é 9,12l.

Troquei o plug da tomada para algo que encaixe na tomada 220V da parede do estúdio e depois de lembrar de ligar a tomada 220V no painel de força, liguei a máquina. Ventoinhas, correia e bombas de recirculação a pleno vapor, que alívio, já imaginou isso tudo por nada?

Coloquei detergente em alguns tanques mais sujos para que a recirculação limpasse a bomba e etc. Enchi os tanques até os 9l e coloquei um por um os racks de processamento. Meu pensamento foi o seguinte, limpei os racks, mas muitos roletes são internos e inacessíveis, a água iria limpá-los, mas lentamente, preferi ir colocando eles aos poucos para permitir que a limpeza acontecesse sem sobrecarregar o motor da Colex.

Com dois racks no lugar, a água dos tanques foi mudando de cor, os resquícios de químico foram fazendo o revelador e o fixador “aparecerem” ali. Passei um cópia velha colorida pela máquina para ver se o transporte funcionava. Funcionou, mas a cópia saiu imunda e arranhada dos primeiros dois racks. Passei mais dez cópias e a situação foi melhorando. Parei tudo e troquei a água dos dois primeiros tanques, sujeira demais.

Montei os outros racks, agora eram todos, os 4. Achei cópias 50x60cm velhas, passei elas de lado, para limpar 60cm! E tudo voltou ao normal. Montei o rack de secagem e passei mais umas 10 cópias para terminar de limpar, do secador de espuma sairam restos de insetos grudados nas cópias. Esvaziei tudo e agora, quem sabe hoje a noite, misturo químico para um verdadeiro teste no escuro.

Ampliador 8×10″ • idéias

Volta e meia eu olho o site do Glennview (link ao lado), uma lojinha na periferia de Chicago que tem no seu catálogo as coisas mais interessantes.

Foi lá, na página sobre ampliadores Durst, que eu comecei a ler mais sobre Pin Registration e Stretching Negative Carriers.

Isso tudo me deu idéias, como também a conversão que ele faz de uma Polaroid MP4 para ampliador 8×10″ (veja na página sobre ampliadores 8×10″).

Em breve, fotos de um ampliador que deve nascer da Toyo Field 5×7″.

Papel Talbot vermelho

Papéis fotográficos velhos têm características interessantes e algumas dificuldades a mais no processamento, tais como véu de base e baixo contraste.

Um revelador normal, com Metol, ressalta os problemas desse tipo de material fotossensível.

Recentemente usei um papel estranho da Talbot (Uruguai) que tem base com tom vermelho.

Não sei onde vi, mas anotei uma fórmula do revelador Kodak D-64b que é a seguinte:

Sulfito de Sódio 33,8g (aprox. 5 colheres de chá)

Hidroquinona 19,2g (aprox. 2 colheres de sopa)

Carbonato de Sódio 26,9g (aprox. 2 colheres de sopa)

Brometo de Potássio 2,4g (aprox. 1/2 colher de chá)

Água para 1 litro.

A hidroquinona desse revelador não está muito protegida e ele logo se oxida. É fazer, usar e tchau. O papel Talbot levou entre 6 e 8 minutos para revelar totalmente nesse tanto de Brometo, mas o resultado foi ótimo. A diluição foi 1:1.

Algumas lições reaprendidas: a agitação inicial na revelação de papel é importantíssima, para uma cópia sem manchas, mesmo com um tempo bem longo de revelação. Vacilei numa e mesmo depois de 8 minutos a cópia ficou manchada. Outro detalhe é olhar a tira de teste sempre depois de fixada. Às vezes tenho preguiça e olho no interruptor, com esse papel a imagem muda muito em relação ao fundo ao chegar no fix.

Um opção de revelador que vai durar mais na bandeja é o Ansco 81, que tem ácido cítrico para conter ainda mais oxidação da hidroquinona. Mas note como ele é muito mais concentrado!

Sulfito de Sódio 55g

Hidroquinona 35g

Carbonato de Sódio 80g

Ácido Cítrico 5,5g

Brometo de Potássio 10g

Água para 1 litro.