Ruídos eletrônicos

No post anterior eu já anunciei que esse post aqui me obrigou a criar uma nova categoria aqui (“media arts”). Organizei dois posts de 2008 e um de 2010 dentro dessa categoria. São coisas que levam anos para encontrar uma saída.


Pelas minhas andanças na cidade acabei esbarrando num par de caixas de som dinamarquesas e elas ficaram um tempo ali na garagem esperando algo mais aparecer. Não demorou tanto assim, logo achei um estéreo bem simples e antiguinho, um 3 em 1 com CD, tape deck e rádio AM/FM.

Desmontei o estéreo para entender suas partes e saber o que ainda funcionava e como.

A placa do amplificador tinha diversas áreas dedicadas a cada uma das entradas (CD, rádio, AUX e tape decks). Comecei a mapear o que funcionava em AUX para ver como injetar ruídos e sons.

Achei umas ligações que davam uns curtos interessantes, instalei uma nova entrada para microfone. Soldei uns fios para facilitar a brincadeira.


Num experimento paralelo, ao desmontar uma filmadora velha, achei um elemento piezo da TDK ligado como buzzer. Consegui recortar a placa de circuito o suficiente para isolar esse piezo sem danificar nada.

Uma coincidência monstruosa, fui ver a mais recente apresentação da Orquestra de Dispositivos Eletrônicos aqui em Braga e fiquei entusiasmado com os cubos mágicos da Líria, ligados a piezos, sendo usado para os sons mais malucos. No fim do espetáculo o coordenador ainda anunciou que eles iam começar uma nova temporada e que estavam abrindo vagas a voluntários…

Já sabia o que fazer com esse piezo. Com dois fios liguei ele a uma placa estéreo USB.

Tinha um modem DSL antigo, desmontei. O modem era protegido por uma linda gaiola de Faraday. Com metade dela eu já tinha um “campinho” para jogar bola de gude. Colei o piezo nela e logo fiz um “instrumento” que podia também só raspar.

Com cola quente e USB, bem maneiro.


As caixas de som, do início desse post, eram maravilhosas e o eco na garagem é delicioso. No entanto, percebi que aquilo precisava ir mais longe…

Precisava dar saída para esses sons. Queria adicionar reverb a eles. Pesquisei um caminho open source, lembrei do Pure Data. Num vídeo de Youtube descobri que o Valhalla Supermassive (um plugin vst com um reverb lindo) é gratuíto apesar de código fechado. Achei um jeito de ligar VSTs no Pure Data. Num laptop velho instalei o Mac OS 10.13.6, o Pure Data e o Massive.

Levei umas tentativas para perceber como as preferências do sistema de áudio conversavam com adc~ do Pure Data, mas acabei encontrando um ponto comum entre eles e ficou tudo beleza pura.

Para poder usar um plugin com o Pure Data no Mac, acabo não podendo usar a versão mais recente de todas. Não sei se é por isso, mas não consigo ingerir todas as entradas de áudio no Pure Data. Ele acaba só vendo a que se escolhe nos System Preferences.


Nesse meio tempo, escrevi para o email da ODE e me chamaram para participar. Levei a tralha toda, mesmo sem conseguir tocar ambos os “instrumentos” juntos. O primeiro ensaio de que participei foi das experiências mais interessantes que tive recentemente. O músico Rui Souza que coordena a orquestra tem uma vibe perfeita para criar um ambiente amistoso e prolífico, mesmo com tanta gente que não nasceu músico.


Decidi experimentar com Processing, em Linux e ver se consigo aceitar o som do meu “gerador de ruído” e do piezo juntos, mixá-los, dar um delay e um reverb diferente em cada um e devolvê-los num output qualquer. No entanto, numa aula do mestrado, o professor do ateliê de arte sonora me ajudou a encontrar umas mesas de mistura bem econômicas no OLX. E depois de uns dias a escolhida já tinha chegado.

Isso ainda fazia mais sentido depois de uma dica do Rui, de pesquisar reverbs analógicos feitos com molas. Adicionei um outro piezo ao meu “amplificador de ruídos”, pendurado no seu interior por duas molas bem fininhas. O som ficou mais fraco do que quando ele estava colado à superfície da madeira, mas um ligeiro reverb natural se fez presente. Talvez com gain e compressor da mesa seja possível contornar isso bem, ainda carece de teste… Se precisar ainda tem um preamp do AliExpress que pode ser a solução…

Esse post cresce toda vez que o edito, hahahhahaha, vou encerrar aqui e depois conto mais.

Processing e Lab Cor

Ando pensando muito em Processing e agora também em Arduino.

O lance do Processing tem a ver com a idéia de passar Pluracidades para o vídeo e tenho progredido nos testes que vão encaminhando isso.

O lance do Arduino nasceu hoje, num papo com o Radamés. A idéia é antiga: recriar a fonte de luz da cabeça do ampliador Philips PCS 150 ou do PCS 2000 dos anos 80. Usando LEDs, uma placa de Arduino e só.

Rede de coordenadas

Uma amiga mandou o link pro making of do clipe da música House of Cards do Radiohead. Sensacional. Fui atrás de pesquisar conexões em cima disso, dá técnica usada, achei o site do figura, Aaron Koblin, que deu o apoio técnico/artístico para a história, e um site de outro figura, Roger Mueller, que ensina como fazer isso em casa, bacana. Scanner a laser, rede de coordenadas, onde a geração de imagens vai parar?

Experiências na música eletrônica

Na música, a criação de conteúdo a partir de um computador nasceu muito rápido, o que talvez se deva ao fato de ser uma informação bidimensional. Hoje em dia os tais 3Ds estão ficando tão próximos das fotografias, ou melhor, do que é aceito como a representação em 2D do mundo que conhecemos, que já é muito comum não fotografar algo, mas sim usar uma imagem gerada dentro de um computador que simula uma fotografia.

Quem não se lembra dos sintetizadores. Isso foi o meio termo antes do computador pessoal simular o instrumento musical: o sintetizador era um pequeno computador que simulava apenas alguns intrumentos. O som dos sintetizadores era muito peculiar, o que hoje virou cult. Hoje em dia é fácil fazer download de programas que simulam sintetizadores de sons antigos. A simulação da simulação.

Pensando em como esse conhecimento se aplicaria à fotografia, imaginei criar uma música, pensando que poderia ser uma fotografia. Não tem a menor graça, até porque eu não sei nada de música, a não ser ouvir. Baixei o Rebirth, que simula o sintetizador TB-303.