Colex • manchas

As primeiras imagens feitas na Colex foram bem desapontadoras. Muito pouco contraste e um véu cian invadiu as imagens e estou tentando descobrir o que vem causando isso. O fato é que foi experimentar uma outra processadora antes de culpar a Colex e o problema se repetiu na processadora Nova com o mesmo químico e os mesmos papéis.

Pesquisei um tanto e já experimentei várias temperaturas diferentes, papéis diferentes, com e sem banho interruptor, com e sem prewet. Em geral as fotos saem assim da Colex e da Nova. Esse é um teste de uma foto de um cavalo feita no leito do Rio São Francisco em 1999.

Essa é um progressão de testes feitos aumentando a concentração do Blix.

E essas são as melhores imagens até agora. As manchas mais fracas foram obtidas com uma concentração absurda de Blix. Há contraste e há cor!

Teste Liquid Light sobre vidro de scanner

E no último encontro de segunda-feira o evento principal foi finalmente conseguir emulsionar um pedaço de vidro.

O vidro é sucata de um dos vários scanners que passaram por aqui (por isso tem a faixa branca em forma de T alongado). A emulsão foi a LE30 da Fotospeed, as instruções foram as do Liquid Light da Rockland.

Aproveitando que a câmara 30x40cm estava pronta e à disposição e que a fotometria da piscina também estava em cima, a foto ficou assim:

Foto do negativo foi feita pela Wicca.

Todos os contatos, do vidro e dos negativos da câmara 30x40cm, foram feitos em Kodak Kodabromide F2 RC revelado em Agfa 108.

ULF 30x40cm

As primeiras imagens, de teste, com a câmara 30x40cm.

Na primeira de todas, ocorreu um vazamento de luz, pontos brancos na parte inferior da imagem. O mais impressionante é o tamanho do círculo da imagem projetada para lente 140mm.

O segundo teste na verdade foi deixar a câmara na luz durante uns minutos, como na foto anterior, e ver se a adição de fita preta tinha resolvido os vazamentos de luz. escolhi uma outra vista que desse uma parte inferior da imagem bem escura, não apareceram mais os pontos brancos.

Com a ajuda da Wicca (responsável pela imagem acima), desci à piscina. Câmara apoiada no chão, tudo nivelado, tudo retinho. No negativo, o nível de detalhe nas cadeiras brancas ou na borda da piscina do lado de lá é impressionante. Foram 3s com f/45, filme Lith, revelado em Diafine na bandeja (ISO aprox. 12).

A combinação de filme Lith, como o Kodalith, com Diafine é muito bacana. O Diafine é um revelador dividido e segura bem as altas luzes, compensando bem nas baixas. Nessa foto o tempo pedido pelo fotômetro era de 1 minuto, expus 10 minutos. Ficou mais contrastado que os outros negativos, mas nada grave, ou que um filtro 00 na ampliação não resolva.

ULF 30x40cm • finalizando

Uma nova câmara, formato 30x40cm, lente 140mm, fico fixo. Uma super grande angular com um negativo enorme e relativamente fácil de carregar.

Após os últimos retoques com cola quente.

Uma moldura segura o filme no lugar. EVA disposto ao longo da borda dá a vedação.

A Protar 14cm f/18 deveria cobrir algo como 20x25cm com algum espaço para movimentos, mas acabou cobrindo bem o 30x40cm, só deixando uns cantinhos de fora. Amanhã posto fotos.

Bieka DFV

Encontrei um manual da câmara fotográfica Bieka que era produzida pela D.F.Vasconcellos S/A ou DFV. A câmara utiliza filme 120 e faz 8 fotos de tamanho 6×9.

O plano do filme é curvo na Bieka, acompanha o desenho do corpo na parte traseira. Vamos ver como isso funciona.

O prédio da DFV ainda está ali na Av Indianópolis e ainda possui o observatório astronômico no telhado, mas não acho que ele seja tão imponente como o da gravura.


“Outros produtos da nossa produção!” Hilário.

Colex • recapitulando

Em agosto de 2009 eu fui a Uberlândia buscar uma Colex. Depois de um ano e meio, finalmente enchi ela de água e testei seu funcionamento. Deu tudo certo! Nesse post eu gostaria de recapitular os passos que me trouxeram até aqui.

Uberlândia é um lugar onde um pó de terra vermelha entra em tudo e a Colex não foi exceção. Quando chegamos de volta a Sampa, na garagem do prédio, antes de subir para o estúdio, um banho de mangueira foi o início dessa reforma. Uma esponja com detergente ajudou a remover uns pontos onde a graxa se juntou à terra.

Em outros posts mais antigos já fiz menção ao conserto feito em alguns roletes que tinham o eixo danificado. E também sobre a remontagem de racks. E sobre o carrinho que construi para ela.

O próximo passo foi descobrir como tudo funcionava. O Robert da Colex foi gentil e me enviou um pdf com manual de instruções da colette (modelo da minha processadora), o link leva ao manual que tem 420Kb. Conversei com o Marquinhos no Senac e com o Gibo para obter algumas dicas do funcionamento da máquina e isso foi muito bom.

Com o manual lido, pesquisei fornecedores de químicos para RA4, pesquisei os volumes das embalagens e como eu faria as impressões. Foram dias e noites na internet pesquisando as experiências de outros fotógrafos e suas processadoras, diluições e procedimentos.

Numa folha de papel A3 comecei a desenhar a infraestrutura necessárias para ligação da máquina (elétrica e hidráulica) e comecei a planejar as tarefas para isso acontecer. Ao mesmo tempo abri a máquina e comecei a desligar peças que não seriam necessárias. Desisti de usar o sistema de reforço automático e o aquecimento da própria máquina.

O Gibo me garantiu que as resistências que aquecem o ar da secagem só gastam energia elétrica e superaquecem a máquina, removidas!

Sem esses sistemas o consumo elétrico da Colex seria bem menor e a amperagem da tomada poderia ser normal. Vale a pena ler por ai muitas histórias de sucesso com o RA4 em temperatura ambiente.

Lubrifiquei a correia principal. Rearranjei a posição das mangueiras dentro da máquina e ajustei comprimentos e retirei pontas estragadas. Tirei a válvula solenoíde junto com o aquecedor e a bomba de circulação da água quente. Sairam também a bomba de reforço, as mangueiras dela e toda a fiação elétrica que ligava esse pessoal todo.

Com cola quente reorganizei todos os fios elétricos que ficaram na máquina. E limpei tudo, várias vezes mais, mas ela continuava imunda. Fiz alguns reparos cosméticos, rebitando o alumínio da “fachada” onde ele havia se soltado e desamassando a caixa de metal da entrada de papel, removendo cola da tampa da entrada.

Colei o tubo do esgoto da última lavagem, que era meio óbvio que ia vazar bastante. Troquei várias abraçadeiras enferrujadas nas mangueiras. Aproveitei um resto de tinta epóxi e pintei o interior da Colex, nos pontos onde a madeira da estrutura tinha ficado tanto tempo encharcada que já começava a apodrecer (medo de vazamentos!). Fiz novos tubos que estabalecem o nível de líquido nos tanques.

Escovei os roletes de espuma da secagem para tirar pó e pelinhos (mas não foi suficiente).

Juntei as pontas das mangueiras de escoamento de líquidos e acertei o comprimento delas. Coloquei as pontas todas dentro de uma caixa de PVC com uma saída única para uma mangueira que fosse até o ralo. A caixa serve para evitar que se forme muita pressão na mangueira e também que evitar que uma mangueira ramificada vire uma série de vasos comunicantes e químicos contaminem outros químicos em outros tanques.

Bifurquei a torneira do tanque do estúdio, adicionei um conector ali e uma mangueira de água limpa. A mangueira se junta a da entrada de água da máquina com outra conexão, que por sua vez se ramifica para encher os dois tanques de lavagem da máquina.

Então ontem, finalmente, liguei toda a parte hidráulica e comecei a encher a máquina de água para ver como funcionava antes de mais nada a saída da água. Foi sábio começar assim, o engate rápido que escolhi só permitia o fluxo de água num sentido e quase houve um transbordamento. Com a máquina toda aberta e sem os racks com roletes dentro, enchi os tanques com 4,5l, metade da capacidade total que é 9,12l.

Troquei o plug da tomada para algo que encaixe na tomada 220V da parede do estúdio e depois de lembrar de ligar a tomada 220V no painel de força, liguei a máquina. Ventoinhas, correia e bombas de recirculação a pleno vapor, que alívio, já imaginou isso tudo por nada?

Coloquei detergente em alguns tanques mais sujos para que a recirculação limpasse a bomba e etc. Enchi os tanques até os 9l e coloquei um por um os racks de processamento. Meu pensamento foi o seguinte, limpei os racks, mas muitos roletes são internos e inacessíveis, a água iria limpá-los, mas lentamente, preferi ir colocando eles aos poucos para permitir que a limpeza acontecesse sem sobrecarregar o motor da Colex.

Com dois racks no lugar, a água dos tanques foi mudando de cor, os resquícios de químico foram fazendo o revelador e o fixador “aparecerem” ali. Passei um cópia velha colorida pela máquina para ver se o transporte funcionava. Funcionou, mas a cópia saiu imunda e arranhada dos primeiros dois racks. Passei mais dez cópias e a situação foi melhorando. Parei tudo e troquei a água dos dois primeiros tanques, sujeira demais.

Montei os outros racks, agora eram todos, os 4. Achei cópias 50x60cm velhas, passei elas de lado, para limpar 60cm! E tudo voltou ao normal. Montei o rack de secagem e passei mais umas 10 cópias para terminar de limpar, do secador de espuma sairam restos de insetos grudados nas cópias. Esvaziei tudo e agora, quem sabe hoje a noite, misturo químico para um verdadeiro teste no escuro.