Oficina • Câmera Oca, segunda turma

Ano passado o Roger Sassaki e eu oferecemos a oficina da Câmera Oca, a idéia é que o participante pudesse construir sua própria câmera de grande formato (13x18cm) para processos químicos (a câmera foi projetada por nós para expor tanto filme quanto vidro emulsionado). A oficina foi um sucesso e terminou com cinco Ocas construídas, testadas e aprovadas. Olha essa foto do Roger!

câmera oca roger sassaki guilherme maranhão

Então para 2016 resolvemos oferecer uma segunda turma da Câmera Oca começando do dia 28/03 (segunda-feira) ao dia 02/04 (sábado), das 8h30 às 12h30.

Mais detalhes e informações no —>>> site do Imagineiro.

Laboratório de Bricolagem Fotográfica • Sesc Belenzinho

Pelo terceiro fevereiro consecutivo vou oferecer um hacklab gratuito no Sesc Belenzinho chamado Laboratório de Bricolagem Fotográfica.
Para quem estiver numas de construir uma traquitana e precisar de uma mãozinha e aproveita para ver umas demonstrações divertidas.
Inscrições nessa terça-feira (02/02), começa numa quarta-feira (17/02).

Processos Fotográficos • percurso

Hoje é domingo e o programa foi fazer junto com o Roger Sassaki e o Lucio Libanori a minha primeira emulsão de gelatina seca para cobrir chapas de vidro. A receita seguida foi a do Mark Osterman carinhosamente batizada por ele de MO-1880, um apanhado das receitas dessa década que ele destilou num processo simples e controlado, fácil de ser seguido passo-a-passo.


Comecei na fotografia antes do Natal de 1991, ou seja, já são 24 anos de laboratório P&B, mas ainda assim hoje foi um dia emocionante. Deixa eu explicar: a emulsão em gelatina, como a maioria das emulsões combina ingredientes que não são sensíveis a luz, mas que quando reagem entre si produzem outros compostos que são. Logo se deduz a primeira coisa, fazer emulsões é algo que acontece no escuro ou com luz de segurança. A emulsão que fizemos hoje aceita ser manipulada sob a luz vermelha e graças a isso pude ver o momento em que dois líquidos cristalinos se encontram e formam uma nuvem branca no béquer. Parece besteira, mas é algo tão fundamental e que eu nunca tinha compreendido completamente, até ver acontecer. Mesmo no colódio, o mesmo processo ocorre na chapa imersa no tanque de prata, mas não é visível assim. O nascimento da fotossensibilidade.

Isso me pôs a pensar nessa idéia de percurso, da pesquisa ao longo do tempo. Logo lembrei do primeiro semestre de 2011, a Simone Wicca e eu fizemos alguns testes nessa direção, mas num plano muito mais simples, aproveitando produtos prontos que estavam disponíveis, como o Liquid Light, garrafas velhas, vidros de scanners quebrados. Na época nós líamos muitos as experiências da Denise Ross no site The Light Farm, cujo link está aqui ao lado. O approach dela é diferente do Mark Osterman, ela é menos meticulosa, mais interessada em obter uma imagem; o Mark tem uma preocupação maior com a qualidade da imagem e com a obtenção de ISO mais alto, nada insano, mas há uma diferença.

Em 2011, conseguimos imagens interessantes e demos com a cara na parede algumas vezes, perfeito. Nosso projeto não foi muito para frente, uma pena. Às vezes falta tempo, às vezes outros projetos ganham prioridade, foram alguns anos para poder chegar nessa nova etapa de pensar em emulsões fotográficas. Aonde vai dar é incerto e não é importante. Importante é continuar fuçando aqui e ali, desvendar coisas e construir um percurso de pesquisas e experimentações, retomar pesquisas antigas quando aparece uma nova chance e mais que tudo, continuar a produzir imagens.

ULF • finalizando

O último post desse assunto foi exatamente há um ano e um dia. Em dezembro de 2014 eu estava cortando os últimos pedaços de madeira para montar as traseiras da câmera.

Modifiquei um tripé da Atek para receber a câmera, removi a cabeça e criei uma base no topo do tripé que encaixa no fundo da câmera. Ressucitei um Compound IV todo enferrujado para receber as células da Symmar 360mm que eu pretendo usar.


Foi um ano corrido e eu só consegui juntar forças e grana para comprar passepartout e foamcore para montar os chassis de filme no meio do ano, levei um tempinho ainda para cortar tudo e só comecei a montar o primeiro chassi 8×20″ na semana passada.


Na montagem descobri alguns erros nos cortes, nada grave. E também tive de dar corpo a algumas idéias que eu tinha tido durante o ano, mas que não estavam presentes no protótipo, como o light trap feito com folha de alumínio e etc.

Ainda não sei exatamente como acomodar a câmera para transporte e onde levar chassis para que sejam mantido planos o tempo todo, mas acho que isso vai ser aprendido com o tempo.

Tem horas que me pergunto porque, depois passa.

Processos Fotográficos • perdas e ganhos

Recentemente durante uma entrevista do Foco Crítico (programa que apresento com Fausto Chermont) surgiu o assunto das perdas dos processos fotográficos. Falávamos com Ralph Gibson e ele contava da impressão de seu primeiro livro: http://www.ralphgibson.com/1970-somnambulist.html

A história que ele contou era de quanto ele teve que aprender e investigar sobre os processos de litografia naquela época e procurar pessoas que o atendessem para que ao invés de perder no processo de impressão e acabasse ganhando algo novo e inesperado. Nasceu ali um longo relacionamento dele com os livros.

No início do ano de 2015 queria preparar duas imagens da série Ser Cor e Ser Rio para uma feira. Mandei os dois arquivos para o Lucio Libanori, da Gicleria, imprimir e montar. O Lucio alertou para possíveis problemas de gamut. O arquivo dessa série é produzido em um software antigo, sem CMS, mas que é o que permite criar esse tipo de imagem, assim toda espalhada pelo ambiente do RGB.

Fomos adiante e fizemos as cópias, o trabalho realmente perdeu alguma coisa, algo que provavelmente é imperceptível. No entanto, nenhum método de impressão atual poderia resolver o problema.

O Lucio fez um vídeo de tela enquanto ele comparava os gamuts da imagem e da impressora dele, antecipando as perdas em todas as direções.

Confesso que me bateu um orgulho de ter conseguido criar um arquivo tão complicado e uma tristeza ao encontrar as limitações do processo.