20 anos do blog Refotografia

Para contextualizar, o que acontecia há 20 anos:

  • eu tinha acabado de completar 30 anos. Agora já faz 50 anos que eu nasci. Como diria o Cazuza, o tempo não pára.
  • eu estava no meio do bacharelado em Fotografia, tinha muito tempo para pensar na fotografia dentro da minha vida. Tive a idéia de usar o blog para estruturar os textos que eram o início do que eu escrevia para o meu trabalho de conclusão de curso.
  • eu tinha uma Canon 10D e ela era bem nova!
  • a Nikon estava a lançar a D200, que me deixou um pouco desapontado com a Canon 10D.
  • o Ubuntu havia acabado de estrear, mas eu ainda não sabia.
  • os computadores da Apple ainda usavam processadores PowerPC.

Sobre o blog em si:

  • Olho os posts antigos e vejo que quando eu comecei eu estava numa fase de evitar usar as letras maiúsculas no início das frases. Achava isso “engraçadinho”.
  • Esse blog nasceu na plataforma Blogger/Blogspot, depois importei todos os posts originais para a plataforma WordPress, tanto é que o primeiro de todos está aqui.
  • Teve uma época do blog que eu voltava aos posts mais antigos e dava títulos a eles. O primeiro template que eu usei não incluia títulos para os posts, era mesmo apenas um template para web log. Depois eu mudei de template e resolvi adicionar títulos. Ainda não terminei de dar títulos aos primeiros posts.
  • Nesse meio tempo a internet criou o tl;dr (too long, didn’t read) – um sumário para os posts, para quem tem preguiça de ler. Ainda não me convenci que isso também fará parte dos meus posts mais longos, como esse.

Ao longo desses anos, muitos materiais em estados muito “interessantes” passaram pelas minhas mãozinhas. Ah! Que delícia!


Essa imagem do cometa Neowise tem várias camadas para mim. Ela já havia aparecido no blog quando eu a capturei. Morar numa cidade em que da varanda do seu apartamento você consegue uma imagem dessas, sem aquela poluição à qual eu estava acostumado em São Paulo, foi uma grande mudança. E isso é uma das camadas que eu vejo. Viver num mundo onde há informação sendo distribuída sobre ciência nessa quantidade é outra camada. Eu acordei com um despertador para uma hora exata, sabia a direção em que olhar e o que procurar, isso é fabuloso. A informação deveria existir quando comecei o blog, mas não era tão fácil de ser acessada e calculada para as minhas coordenadas específicas. Na boa, com a tecnologia que existe hoje eu podia até ter continuado dormindo e programado um ESP32 para operar o obturador da Canon por mim, mas eu sou velho e acredito em passar frio na madrugada!


Nota: Esse post está agendado com 10 meses de antecedência, para ser postado nessa data comemorativa. Espero estar vivo para ver! Ha! Enquanto estiver, vou entrando aqui e escrevendo um bocadinho mais.


Estou terminando o primeiro ano do Mestrado em Media Arts na Universidade do Minho. Em um dos trabalhos do primeiro semestre, acabei esbarrando em um livro de um autor chamado Garnet Hertz. Vou falar mais dele depois, mas o fato é que ele me fez voltar a pensar no Flusser, na caixa preta e em temas relacionados. Decidi escrever um pouco mais sobre isso e criar algumas caixas pretas físicas para representar essas reflexões.

Falar desses 20 anos do blog é também refletir sobre o que escrevi aqui e sobre o que tenho imaginado para o futuro.

Hoje em dia falamos tanto de IA, e ela é a maior caixa preta de todas. Mal dominamos seus inputs e outputs, e poucas pessoas realmente a conhecem por dentro — menos ainda sabem exatamente quais são os critérios adotados na sua criação e manutenção.

E, falando em critérios, acho que raramente nos damos conta de como eles são importantes. Vamos a um supermercado e compramos um saco de maçãs selecionadas. Voltamos para casa felizes. Mas, espera aí! Selecionadas? As maiores? As menores? As mais maduras? As que têm bicho dentro? E se a única seleção for o diâmetro da maçã? De que adianta?

Nesses 20 anos escrevendo sobre imagens, acabei esbarrando nessas questões com certa frequência. Uma fotografia é um elogio? Uma crítica? Quais os critérios que definem isso?

Até certo ponto, eu tentava responder a essas perguntas listando fatores relacionados ao processo de formação da imagem. Afinal, as decisões e os critérios do fotógrafo norteiam as visualidades que estarão presentes na fotografia. A fotografia digital, nesse sentido, não trouxe tantas novidades em relação ao mecanismo herdado da fotografia analógica, e é relativamente fácil traçar paralelos.

No entanto, a produção de imagens via código traz uma certa insegurança nessas relações. Acho que ainda é tudo muito novo para que eu consiga perceber se poderemos continuar usando um sistema de paralelos e equivalências para entender essas imagens.


tl;dr (too long, didn’t read, ha!) – Olhando para trás, comecei escrevendo principalmente sobre fotografia, mas neste último ano me vi cada vez mais envolvido com o som. É curioso como é essa tal crise de meia-idade: em vez de um carro esportivo, investi em equipamentos de som baratos. É interessante perceber como a gente muda com o tempo — e como as paixões se transformam e se multiplicam. Acho que isso tem muito a ver com o fato de, ao me envolver mais com o código, ter descoberto outras maneiras de transformar as imagens e os sons em experiências novas — como se cada linha de código abrisse caminho para paixões que eu nem sabia que tinha.

Quem sabe nos próximos dias eu crio coragem e escrevo sobre os magnetofones de rolo que estou trazendo de volta à vida lá na minha garagem!

Luxúria, de Pedro Bastos

Luxúria, do artista Pedro Bastos, é uma exposição-instalação apresentada em três museus do Norte de Portugal: o Museu Nacional Soares dos Reis, o Museu do Abade de Baçal e o Museu de Alberto Sampaio. A abertura inclui a exibição do filme “Luxúria”, uma projeção analógica em 35 mm com música ao vivo de Rui Souza.

O projeto é inspirado por iconografias medievais da luxúria presentes em esculturas religiosas da região, o trabalho desenvolve uma leitura contemporânea e poética desses temas, combinando pesquisa literária e fotográfica.

O filme projetado foi impresso com serigrafia, quadro a quadro. Imagina o trabalho que isso deu!

Zu verschenken

A regra é simples: na Alemanha podes deixar items dos quais quer se desfazer à sua porta, contanto que caibam numa caixa de papelão devidademente identificada, em geral se escreve “zu verschenken”. Assim esses objetos não serão considerados lixo fora de lugar e poderão ficar ali até que alguém que esteja passando os queira levar consigo.

É um tanto agradável andar por um lugar onde a civilidade e o senso de comunidade tem tanta força que essas caixas se tornaram hábito e tem uma, mesma que já vazia, na porta de cada prédio.

Ainda assim, existem pontos de recolha para pequenos aparelhos e têxteis em todos os bairros, em geral junto aos pontos de recolha de recicláveis.

Ainda assim, alguns items acabam se tornando trabalhos artísticos pelas ruas…

Ciclo de exposições Fotógrafas Experimentais

Finalmente começou!!!! Abro esse post com uma selfie rápida no fim da montagem, ainda na bagunça.


Aqui segue o press release sobre a exposição e o projeto:

A obra de Fátima Roque está em destaque na primeira exposição do ciclo Fotógrafas Experimentais que, até novembro, vai revelar dez mulheres pioneiras na área da fotografia. A iniciativa integra o programa da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura, depois de ter sido escolhido no âmbito do programa Todo-o-Terreno.

“Fotógrafas Experimentais” celebra a fotografia como campo de experimentação e resistência criativa, cruzando-se com o rico património fotográfico de Braga. De fevereiro a novembro, no café anexo à padaria Amor&Farinha, serão apresentadas as investigações visuais de dez fotógrafas através de exposições, conversas e oficinas.
A cada mês, há uma exposição dedicada a uma artista diferente. Cada uma delas traz a sua abordagem única, desde técnicas pré-industriais até à reutilização de tecnologias modernas, explorando a fotografia como gesto político e poético.


Cada ciclo mensal integra também uma oficina dedicada a diferentes técnicas fotográficas. As oficinas funcionam em formato de aulas abertas, sem necessidade de pré-inscrição.
A primeira exposição inaugura às 18:00 do dia 4 de fevereiro e é dedicada a Fátima Roque (1960-2019), artista que inspirou este projeto.
Roque foi fotógrafa e investigadora da fotografia. Fez frequentes incursões pelos rios da Amazónia, não apenas para fotografar, mas também para ministrar cursos à população local. Integrou o Grupo Surrealista de São Paulo, tendo exposto individualmente em várias instituições brasileiras e internacionais.
“Fotógrafas Experimentais” é impulsionado pelo TiroLiroLab, coletivo de arte e tecnologia que propõe práticas sustentáveis e inovadoras.
A iniciativa integra o programa da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura no âmbito do programa Todo-o-Terreno.

Retratos em raio-x

Para encerrar meu ciclo de 4 aulas no Nébula fiz uma aula sobre o uso de filme raio-x em câmaras de grande formato.

Revelamos os negativos ali na sala mesmo, com meu laboratório portátil feito de cartão e madeira.

Era um dia chuvoso, tivemos que nos posicionar bem próximos às janelas para ter luz suficiente.

O grande desafio do dia era manter os químicos na temperatura certa, sendo que dentro da sala de aula estava 15C. Além do material de laboratório, levei comigo uma grande cafeteira elétrica. Deixei ela cheia de àgua, que se manteve quente durante toda a aula. Sempre que achava que era o momento, adicionava um pouquinho daquela água bem quente aos químicos e deu certo.

Quimigramas no Campo das Carvalheiras sob a chuva bracarense

Ah! Nada mais bracarense que uma chuva fraca e persistente!

Assim foi a oficina de quimiogramas que fez parte do núcleo de artes visuais do Nébula, sob uma garoazinha bracarense.

Usamos uma das mesas de merenda do Campo das Carvalheiras no centro histórico de Braga, num dia nada especial para isso…

Reaproveitamos uma caixa de papéis fotográficos bem pequeninos da Gevaert, um Ridax tamanho 8x8cm, fibra, peso simples, brilhante. Usei Rodinal bem diluído para dar uma revelação bem lenta, perfeita para iniciantes em quimiogramas.

Conseguimos muitos meios-tons, ficou muito bacana!

Faltou mesmo foi uma bebida quente para manter o corpo mais quentinho!