Encontrando caminhos com o Silverfast e o PFU

Falei antes aqui do scanner PFU 2400D, ou Lynx A3, que eu achei no meio da sucata, no centro da cidade. E falei também do francês bacana que me mandou o CD de instalação do software original pelo correio.

O software é uma versão antiga de um programa de escaneamento chamado Silverfast. A PFU nunca chegou a desenvolver uma interface própria para seu scanner, prefiriu usar um programa pronto de muito boa qualidade. Esse programa é vendido pelo fabricante de maneira avulsa também, ou seja, para ser usado com outros scanners, um detalhe é que o fabricante embute os drivers do scanner em questão dentro do software, tornando-o unica e exclusivamente compatível com determinado modelo de scanner. Ou seja, não bastava simplesmente achar uma cópia do Silverfast, tinha que ser a que funciona com os scanners da marca PFU.

Posto tudo isso, o Silverfast é um programa incrível, com requintes espetaculares muitos dos quais funcionam com meu scanner que também é cheio de recursos realmente úteis. Por exemplo, o Silverfast consegue controlar o autofocus do scanner, ativando-o quando necessário ou permitindo o foco manual, o que é bem útil para escanear negativos sem que eles estejam diretamente colocados no vidro do scanner. O programa também oferece um controle que encontra tanto o ponto mais claro na imagem como a sombra mais profunda, põe esses pontos nas pontas do histograma e isso tudo sem causar brechas no desenho do histograma, que poderiam causar posterização da imagem.

Dicionário Fotográfico e Fotoquímico

Da série Livros Obscuros da Fotografia Brasileira:

“Clichê – Palavra francesa que, nesse idioma, significa qualquer negativo. Embora já tenha sido empregada em português é conveniente não fazê-lo, pois atualmente o têrmo em nosso país significa exclusivamente as chapas de zinco, ou de qualquer outra substância usadas para a impressão de gravuras em sistema tipográfico.” (sic)

É assim que João Koranyi explica a palavra clichê na terceira edição (de 1964) do seu Dicionário Fotográfico e Fotoquímico (nas primeiras duas edições ele era entitulado ABC Fotográfico). Publicado pela Editora Íris. Segue outros dois verbetes:

“Imagem – Representação de um objeto, produzida pela reflexão ou pela refração da luz. Diz-se que a imagem é real quando é formada pela convergência dos raios luminosos atravessando uma lente e projetada sôbre um plano, e virtual quando seria formada pela intersecção dos referidos raios caso fôsse, nesse ponto da intersecção, inserida uma superfície sôbre a qual êles incidissem.” (sic)

“Imagem fantasma – Imagem de contorno duplos que em geral é produzida por uma objetiva defeituosa. A correção só se faz trocando a objetiva.” (sic)

Dicionario

Slideluck Potshow

O Slideluck Potshow foi uma experiência interessante, mas confesso que não fiquei até o fim. Vi trabalhos muito bons, curti Aline Yoshida e Gui Mohallem. Uma pena que outros fotógrafos legais que ali mostraram suas fotos não consigam ser mais objetivos na edição de suas imagens. Às vezes um trabalho começava super legal, de repente uma foto levava embora todo o significado que vinha sendo construído. Outros trabalhos simplesmente não respeitavam o que o próprio site do projeto pedia como inscrições para o evento. Outros apresentaram simples coleções de imagens, que quando muito eram correlacionadas pela técnica utilizada na sua produção, às vezes nem isso. E em outros a música ia numa direção e as imagens não acompanhavam (a julgar pelo trailer do filme nacional Fim da Linha essas dificuldades não são exclusivas dos fotógrafos).

Imagens são mais subjetivas que palavras. No entanto tanto palavras como imagens tem um significado, sendo o das imagens menos tangível. Acho que o significado das imagens é o principal fator na colocação de uma imagem dentro de uma sequência, logo vejo um esforço grande para criar sequências de imagens que funcionem juntas, ao contrário de um simples agrupamento qualquer.

Grupo de estudos e Skype

Temos tentado reunir uns amigos aqui em casa para por algum papo fotográfico em dia, chamamos isso de grupo de estudos, mas pode ser algo próximo a um núcleo de produção, ou só um bate-papo despretencioso. Nosso intuito: não ficarmos parados, fazer mover as idéias.

Foi sensacional e emocionante.  No encontro de hoje graças ao Skype tivemos a participação de um amigo de Belo Horizonte, veja que estamos em São Paulo. E foi com vídeo! Ou seja, ele ainda pode apreciar as fotos que colocávamos na mesa e discutí-las conosco em tempo real.

Realmente aproveitamos a tecnologia.

Revelador para alto contraste

Da página 140 do livro The Darkroom Cookbook de Stephen Anchell eu tirei a fórmula do revelador de papel fotográfico Agfa 108. Fazendo a conversão para volume a fórmula fica mais ou menos assim: uma colher e meia de chá de Metol, 5 colheres de chá de Sulfito de Sódio, 2 colheres de chá de Hidroquinona, 2 colheres e meia de sopa de Carbonato de Sódio e 20ml de solução a 10% de Brometo de Potássio para 1 litro de água. Não é necessário diluir para usar, fica forte e rápido.

É uma fórmula de alto contraste para filmes e eu a tenho usado com muita frequência nesses últimos anos, até porque a maioria dos papéis que eu uso estão ligeiramente velados. O brometo ajuda a manter esse véu baixo e nem sempre eu tenho que rebaixar a cópia depois de fixada.

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Durante anos eu acreditei que esse revelador era para papéis e usava ele sem problemas, aparentemente tive muita sorte, até um certo dia. Tive muita dificuldade com alguns papéis e realizei um teste há uns dois anos atrás, foi quando eu constatei o Agfa 108 e o Dektol causavam véu de base similares e comecei a pesquisar melhor. Acabei descobrindo a literatura original da Agfa e ele era listado como revelador de filme de alto contraste.

Desde então venho usando Kodak D-64b e GAF-110 com melhores resultados com os papéis realmente velados.

Editado em Junho de 2015.