No quinto capítulo, de seu livro mais famoso entre fotógrafos, Vilém Flusser escreve o seguinte:
“Resumindo: a intenção programada no aparelho é a de realizar o seu programa, ou seja, programar os homens para que lhe sirvam de feed-back para o seu contínuo aperfeiçoamento.”
O trecho culmina com a seguinte frase: “A fotografia é, pois, mensagem que articula ambas as intenções codificadoras. Enquanto não existir crítica fotográfica que revele essa ambigüidade do código fotográfico, a intenção do aparelho prevalecerá sobre a intenção humana.”
Tenho lido e relido esse trecho. Me faz pensar naquele elogio deferido à câmara, que irrita o operador: “Boa sua foto! Que câmara você usa?” O fato é que pouco sabemos separar o que é nossa intenção, o que é intenção já embutida na câmara, no computador, no scanner. Acho que deveria haver um esforço para separar os méritos de cada um.