Câmara com 16 objetivas

Tudo começou com um saco de 100 monóculos, daqueles nos quais se coloca um meio-frame 35mm de slide. Juntei 16 desses monóculos com cola quente. Comecei ao redor deles uma estrutura de papelão.

A coisa cresceu e ganhou um obturador estranho na frente. Um fenda que corria pela frente das lentes dos monóculos.

Dezesseis pontos de vista.

Metareciclagem

Recebi esse e-mail, que reproduzo na íntegra:

“Olá

Em primeiro lugar, desculpem por essa mensagem. Sei que em nenhum momento
vocês optaram por receber mensagens da Rede MetaReciclagem. Esta é a
primeira e única vez que você vai receber algo assim. Para algumas
pessoas, esse e-mail não traz nada de novo. Desculpem de novo.

Meu nome é Felipe Fonseca, pode ser que a gente já se conheça de algum
canto da internet. Pra quem não me conhece, eu fui um dos fundadores da
rede MetaReciclagem, seis anos atrás. O propósito dessa mensagem é
contextualizar um pouco sobre o que é a MetaReciclagem, e chamar todxs
vocês a participarem.

A MetaReciclagem começou em São Paulo, com um pequeno grupo de pessoas
que fizeram uma parceria com uma ONG chamada Agente Cidadão. O foco
inicial do grupo era pegar doações de computadores usados,
remanufaturá-los e entregar para projetos sociais. Isso foi em 2002. De
lá pra cá, a MetaReciclagem cresceu como uma rede descentralizada, com
gente no Brasil inteiro, e vindos de diferentes áreas: desde pessoas
envolvidas com vários projetos de inclusão digital e assemelhados a
jornalistas, educadorxs, engenheirxs e curiosos em geral. Desde aquela
época, o que mantém a identidade coletiva do que veio a ser a rede
MetaReciclagem são algumas ferramentas que a gente usa na internet.

Com essa evolução descentralizada – passamos de algumas pessoas em São
Paulo pra centenas em todo o país – o que veio a diferenciar a
MetaReciclagem de qualquer projeto de reciclagem de computadores é
justamente o uso dessa estrutura. Ou seja, a diferença entre reciclagem e
MetaReciclagem é que a segunda é uma rede de pessoas que se comunicam,
trocam informações, contam para outras pessoas sobre seus aprendizados e
dificuldades, e se ajudam com o apoio dessas ferramentas.

Por isso é que estou escrevendo essa mensagem: para convidar todxs aqui a
entrar nessa rede para se apresentar, para contar para outras pessoas da
rede MetaReciclagem sobre o que vocês estão fazendo, e, de alguma forma,
entenderem que vocês não estão sozinhxs nesse mundo.

A ferramenta mais importante é extremamente simples: uma lista de
discussão por email. Vocês podem se cadastrar aqui:

http://lista.metareciclagem.org

É legal, mas não obrigatório, que depois de cadastrar vocês mandem um
email se apresentando para a galera. Isso também vale pra vocês que
estão cadastradxs mas ainda não se apresentaram.

E também podem consultar um pouco da história das conversas na lista
acessando o histórico:

http://arquivos.metareciclagem.org

Além disso, eu venho tentando montar outras ferramentas que podem ser
úteis na integração dos diferentes projetos de MetaReciclagem. Para
isso, estou reorganizando o site. Como parte da MetaReciclagem, ele conta
com uma certa precariedade e instabilidade, e às vezes sai do ar, e tem um
monte de problemas, mas enfim, também quero convidar aquelxs fortes de
paciência utilizarem esse site no qual vocês já se cadastraram (e de
onde estou enviando esse email) para consultarem um pouco das informações
e possibilidades que existem. Nesse site, idealmente, vocês podem
cadastrar seus Esporos de MetaReciclagem – é assim que a gente chama os
laboratórios auto-gestionados e colocar mapas, adicionar posts de blog,
fotos, páginas de wiki e outras coisas. Também podem organizar suas
ConecTAZes – é assim que a gente chama os diferentes projetos que têm por
objetivo juntar pessoas em torno de objetivos em comum. O site fica aqui:

http://rede.metareciclagem.org/

e pra quem se interessar em saber mais sobre a MetaReciclagem, tem um
monte de material nesses links:

http://rede.metareciclagem.org/wiki/Material
http://rede.metareciclagem.org/livro/conectaz
http://rede.metareciclagem.org/livro/esporos

E aqui um mapinha, bem incompleto, com algumas das conecTAZes e esporos
que já rolaram:

http://rede.metareciclagem.org/map/node

Bom, pessoal, é isso. Espero encontrar vocês pelas redes.

Abraço

efe”

Um pouco de história recontada

Na falta de inspiração, um copy-paste, ou dois.

A fotografia é uma linguagem que foi explorada desde a sua criação há mais de 160 anos e para a qual foi desenvolvido um extenso corpo de conhecimento técnico. A indústria participou dessa exploração criando tecnologia ligada à produção de ferramentas para a execução de fotografias. Não que estas inovadoras ferramentas fossem absolutamente necessárias para que as imagens continuassem sendo feitas, mas foram muito úteis, de fato.

Ao longo dos anos essa pesquisa foi sendo direcionada à solução dos problemas mais comuns na realização de fotografias visando a valorização comercial da ferramenta e a padronização da qualidade técnica das imagens.

Na verdade, quando o próprio Niepce decidiu buscar uma maneira de gerar uma nova matriz a partir de uma gravura impressa e orfã, ele também queria valorizar a sua ferramenta comercialmente.

Na época da invenção do daguerreótipo a exposição à luz era exageradamente longa e a cada mês ou mesmo semana avanços nas pesquisas tornavam possíveis exposições cada vez mais curtas. Nos anúncios dos comerciantes da fotografia esse tempo de exposição (cada vez mais curto) figurava sempre em destaque. Assim se media o avanço da técnica, assim se dava sua valorização comercial. Hoje é o megapixel que mede o avanço tecnológico da fotografia e que faz os preços subirem.

A importância do equipamento

Qual a real importância do equipamento fotográfico? Tem sempre um aluno que vem perguntar que câmara ele compra, a resposta sai sempre difícil, tento explicar que o lance é testar a máquina antes, experimentá-la, saber se resolve seus problemas, esse tipo de coisa. Não é uma compra tranquila, a gente abre mão de alguma coisa para não abrir de outra. Tem o fator dinheiro, que nem sempre é fácil de contornar. Vale a pena investir tanto dinheiro em equipamento assim?

Por conta de um post no Gizmodo fui ver uma área do site do Vicent Laforet, onde ele explica como foi fazer as malas para a Olimpíada de Beijing. Lá pela foto número 15 ele fala dessa mala que só leva as lentes que ele menos usa, mas que segundo ele podem fazer a diferença. Primeira coisa que me veio a mente foi: o que ele vai fazer com uma lente TS nos jogos olímpicos??? A resposta não tardou. É uma foto sensacional do mergulho de um chinês. As lentes TS são equivalentes às lensbabies, mas muito mais caras e feitas com controles que permitem mais precisão. Na legenda dessa foto 15, Vicent fala de lentes que podem fazer a diferença, fazer fotos que serão diferentes das demais, das dos outros fotógrafos. Numa conta rápida imagino que Vicent levou para a China cerca de 100 mil dólares em equipamento fotográfico.

Mais tarde nos meus passeios cheguei ao Photo.net. Tava rolando um post no forum muito interessante, onde um dos membros perguntou aos demais o que de mais importante eles haviam aprendido ali. As respostas eram sensacionais, uma comunidade muito unida, bem bacana. Tinha sempre um bem humorado que falava que o mais importante que ele aprendeu era que Nikon era melhor que Canon, tipo de coisa que rola bastante no Photo.net também. Até porque todo mundo sabe que o contrário é que é verdadeiro. O que metade dos que responderam lembrou é que equipamento fotográfico é o que menos importa para fazer boas fotografias, será? Teve um que disse inclusive que só depois de gastar milhares e milhares de dinheiros em câmaras foi que descobriu que isso não impedia ele de continuar fazendo fotos medíocres (que auto-crítica!). De todos as respostas a esse post, a do Matt Laur foi a melhor de todas, no quesito equipamento, nos itens 4 e 5 ele matou a questão: 4) Equipment doesn’t matter…  5) …except when it sure as hell does.

Lona

O alerta era mais ou menos assim: ano 86, único dono, curada, basta retirar. Essa lona já teve muita história. Na década em que todo fotógrafo tinha uma, ela foi fundo de retratos os mais variados, mas caiu em desuso, ficou esquecida, cehgou a cobrir churrasqueira em dia nublado. Agora passava seus dias tomando sol ou chuva amarrotada nos fundos da casa de um amigo. Fui buscar, sairam bichos indescritíveis de dentro dela, o cheiro era renite alérgica pura! Um pacote de sabão de em pó, uma vassoura, uma magueira na garagem do prédio. Ficou cheirosa! Ainda mostra tudo o que passou, rasga fácil já que o tecido perdeu o vigor da juventude, mas está ai.