Estratégias para papéis velhos • Lith Printing

Dentro os diversos papéis que eu guardei nos últimos anos existem alguns muito interessantes que foram ficando cheios de marcas e mofos. Acho que existem 3 estratégias principais para reaproveitar esses papéis e são elas:

• adicionar brometo de potássio ou benzotriazol ao revelador usado num processo normal de revelar papéis (por exemplo: Dektol, stop e fixador), a mais simples e com pior resultado;

• utilizar um revelador diferente que dê menos véu de base em papéis, lith print entra aqui, já que o revelador de chapa litógrafica dá menos véu e ele substitui o Dektol, por exemplo. Outros exemplos aqui e aqui. Não tão simples, com resultados interessantes, mas nem sempre os melhores;

• superexpor a cópia, revelar normalmente e depois rebaixar a cópia com Farmer’s, por exemplo. A superexposição serve para garantir os pretos depois do rebaixamento. A mais arriscada, com os melhores resultados.

Mas vou falar um pouco sobre o lith print hoje, contar alguns detalhes e linkar artigos anteriores que tratam desse assunto.

Diferentes papéis dão diferentes tons com lith print. Diferentes reveladores também! Existe uma infinidade de reveladores que se prestam a isso, em geral eles têm apenas hidroquinona como agente revelador e a quantidade de sulfito é ajustada para permitir a revelação infecciosa, já falei disso antes e não foi só essa vez.

Alguns papéis estão tão velhos que as manchas aparecem não importa o que se faça, outros não tão velhos acabam ficando com cara de novos, apenas com um tom mais quente que o normal.

Traquitana do Claudio • Av Paulista 

Em março mesmo eu finalmente levei a câmera para uma volta pela Av Paulista em busca de coisas que se movessem de um jeito caótico interessante, na cabeça a idéia de um transe, na bolsa Kodak Tri-X velho e bem mofado.

Eu tinha feito vários testes com a finalidade de calcular o tamanho dos negativos em função do tempo de exposição, queria negativos com um tamanho de 12cm de comprimento para ampliar usando um ampliador 4×5″. Na hora das fotos a coisa foi de outro jeito. Fotografei o que eu via se mexer sem me preocupar muito com o tempo e o comprimento do filme. Depois dos filmes revelados, com uma janela de papelão de 24x54mm (optei por uma imagem muito mais “curta”) eu escolhi as imagens que eu queria ampliar direto na mesa de luz.

Usei papel Polycontrast (fibra, peso duplo) em tamanho 20x25cm e usei o filtro no. 5 para conseguir uma boa separação de tons do negativo. Não fiz nada para evitar o véu de base violento e irregular, deixei ele competir com as texturas dos fungos no filme. O véu irregular tem uma grande vantagem sobre o mais regular que aparece apenas como um cinza sobre a imagem, o véu irregular e ruidoso aparece como um problema do papel e não da imagem e isso pode ser interessante.

Revelador para alto contraste

Da página 140 do livro The Darkroom Cookbook de Stephen Anchell eu tirei a fórmula do revelador de papel fotográfico Agfa 108. Fazendo a conversão para volume a fórmula fica mais ou menos assim: uma colher e meia de chá de Metol, 5 colheres de chá de Sulfito de Sódio, 2 colheres de chá de Hidroquinona, 2 colheres e meia de sopa de Carbonato de Sódio e 20ml de solução a 10% de Brometo de Potássio para 1 litro de água. Não é necessário diluir para usar, fica forte e rápido.

É uma fórmula de alto contraste para filmes e eu a tenho usado com muita frequência nesses últimos anos, até porque a maioria dos papéis que eu uso estão ligeiramente velados. O brometo ajuda a manter esse véu baixo e nem sempre eu tenho que rebaixar a cópia depois de fixada.

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Durante anos eu acreditei que esse revelador era para papéis e usava ele sem problemas, aparentemente tive muita sorte, até um certo dia. Tive muita dificuldade com alguns papéis e realizei um teste há uns dois anos atrás, foi quando eu constatei o Agfa 108 e o Dektol causavam véu de base similares e comecei a pesquisar melhor. Acabei descobrindo a literatura original da Agfa e ele era listado como revelador de filme de alto contraste.

Desde então venho usando Kodak D-64b e GAF-110 com melhores resultados com os papéis realmente velados.

Editado em Junho de 2015.