Beijos

Como não querer fotografar pessoas se beijando. Né!? É um pequeno acontecimento tão importante do cotidiano. “De certo que as pessoas querem se conhecer, se olham e se beijam numa festa genial…” já cantava o Brylho.

Não lembro bem qual foi o primeiro que fotografei, mas lá nos anos 90 eu comecei a juntar numa caixa alguns prints de fotos de beijos até que percebi que tinha uma coleção razoável. Dai fiquei cada vez mais atento e tive uma fase em que andava sempre com uma câmera preparada para os tais beijos.

No réveillon de 99 para 00 estava no Canadá, chegou a meia-noite numa praça lotada de gente, todo mundo comemorou, mas ninguém se beijou. Os canadenses e sua aversão aos “public displays of affection”.

É fato, o Brasil é o lugar para fotografar beijos.

E nos casamentos que fotografei profissionalmente nos idos de 2010 em diante, estava também sempre atento aos novos casais que se formavam na pista de dança madrugada adentro. Cheguei até a fotografar os casais que não deveriam ter se formado, mas que se formaram. Na dúvida, essas fotos ficarão na gaveta eternamente…

A primeira imagem aqui é na Rua Scipião, em frente ao Senac. Depois na balsa do Rio Grande para Delfinópolis, no Parque do Ipiranga e por fim no Barnaldo Lucrécia.

Três perguntas para Isabella Finholdt sobre hashtags

No Instagram você usa algumas hashtags que me fazem imaginar você ali fazendo aquela imagem naquele instante (#shootlikeagirl, #womeninstreet, #girlsinfilm) e eu imagino também que você tem uma certa familiaridade com esses lugares fotografados à noite entre 2014 e 2016. Qual sua relação com esses lugares?

IF: A maioria dessas fotos fazem parte dos dois livros que elaborei pro meu TCC em artes visuais, Verão e Arrebol. Boa parte delas foram feitas no Taboão, no Butantã ou em Pinheiros, que são (ou foram no caso do butanta) lugares que moro e que passo ou frequento diariamente há dez anos. Acho que minha relação com os lugares é de familiaridade e nessa época estava procurando “ver de novo” as coisas que via/vejo todo dia, os ambientes de passagem, a paisagem cotidiana, etc

isabella finholdt

Ainda sobre a hashtag #girlsinfilm, quanto do seu processo ainda é analógico? Porque?

IF: A relação com o analógico pra mim é importante, foi o meio que aprendi a fotografar em 2011. Também pesquisei a construção de uma camera de grande formato em 2016/2017. Também presto serviço de digitalização.
Os dois projetos pessoais que ando tocando são digitais; embora as vezes use a Yashica 6×6 pro projeto do condomínio. Atualmente eu deixei um pouco de lado o analógico enquanto processo de trabalho e pesquisa pessoal, mas de vez em quando eu pego a Yashica, a K1000 menos, pra fotografar porque sou apaixonada pelo formato e por alguns filmes. Para mim as as coisas andam meio juntas, se tenho vontade vou e faço analógico também

E sobre o #workinprogress de retratos, você imprimiu provas para editar esse material? Como funciona essa etapa do trabalho?

IF: Esses retratos que postei são parte do projeto maior que to fazendo aqui no condomínio que moro; tenho algumas provas em diferentes tamanhos…imprimi muitas pequenas (tipo um A5) pra ter uma noção do material que já é grande, e algumas maiores para apresentar na mostra de portfolio do V Fórum Latino-Americano de Fotografia; eu editei algumas séries retratos externos, internos, paisagens etc… e tenho alguns conjuntos que gosto muito e que acho que funcionam bastante, mas a etapa da edição tem sido mais complicada pra mim, a real é que preciso trabalhar mais nesse sentido