Repensando São Paulo

Tenho aproveitado esses dias longe das ruas para repensar as imagens que eu já fiz. tenho diversos conjuntos de imagens ligados a um evento específico ou a um processo específico. No entanto, de 1992 a 2019 eu fotografei São Paulo. Algumas semanas mais que outras, no mínimo uma fotografia pela janela de uma nuvem que aparecia no horizonte.

Comecei a organizar numa pasta algumas cenas internas e externas que representam um jeito de olhar para todos esses anos interagindo com essa cidade. A idéia é imprimir um mini-portfolio que caiba numa caixa 15x21cm, de papel Matt Fibre e tinta de carbono.

ULF • Primeiras saídas

Depois dos chassis ficarem prontos, ainda finalizei uns detalhes que faltavam nas traseiras 30x40cm e 40x50cm (a 20x50cm estava pronta). Reuni todo o equipamento no case de madeira e fui para a rua experimentar os três formatos de uma única vez.

O kit básico nessas saída ficou assim: câmera no case de madeira com as 3 traseiras, tripé Mako, sacola xadrez com os chassis de filme, bolsa Alhva com objetivas e acessórios. Uma mochila com outros itens. Nessa foto a câmera tem a objetiva Protar 183mm f/18 que exige muito pouca extensão do fole e cobre os 30x40cm sem problemas, uma super grande angular rectilinear do início do século XX.

Nessa imagem a Kodak 500mm f/10 Ektanon Duplicating (lente para fotolito) com obturador tipo TP. Detalhe para a tábua central da base da câmera que permite o foco da objetiva deslizando sob a pressão da lâminas de alumínio para frente e para trás.

Na Rua Rio de Janeiro usei o formato 20x50cm na vertical sem problemas. A traseira da câmera é quadrada e todos os despolidos podem ficar em qualquer orientação, isso também permite mudar o lado para o qual se puxa o darkslide do chassi, isso foi muito útil na primeira foto porque tinha uma vidraça colada no lado direito da câmera e depois no Tatuapé também, por conta de um mamoeiro que ficava perto da posição da câmera.

No Viaduto 9 de Julho, com o tripé alto cabe quase tudo sob a câmera, isso dá um pouco mais de tranquilidade fotografando sozinho na rua.

Aqui sobre a passarela de acesso ao Terminal Bandeira ao final do terceiro dia, o cansaço começando a bater, foto do filho mais velho que veio ajudar.

Vencendo o cansaço, ainda achei energia para bater um contato do primeiro negativo. Coloquei uma bobina 35mm ali no canto para dar a dimensão da imagem.

Essa foto no Tatuapé no quarto dia mostra um detalhe interessante que são os rasgos na base da câmera. Eles permitem que a parte traseira da câmera seja posicionada aqui na frente para fotos com grande angulares, evitando que a base apareça nas fotos.

Aqui nessa foto na Móoca dá para ver o kit todo novamente na quarta saída. Atenção para os dois clipes que seguram o fole esticado sempre que a objetiva usa pouca extensão.

O fato é que esse equipamento é muito pesado. No primeiro dia cheguei a pensar que fosse desistir, depois de puxar a caixa pra fora da mala do carro pela primeira vez. Dai logo acostumei e peguei o jeito.

Em Julho de 2011, depois de ver fotos onde eu aparecia arrastando minha caixa de lona com a 8×10″ pelas areias de Ubatuba, Fátima Roque escreveu o seguinte: “Não falo da máquina, da fotografia do século XIX, do esforço, do carregar equipamentos pesados…etc, etc, etc. Coisas que por si gerariam horas de conversa calcadas no primeiro impacto. Falo da atitude. Do que está por trás desse fotografar, da liberdade de poder fazer, da estranheza, do fazer pensar: por que alguém no século XXI tem tanto trabalho para apertar um botão? Falo do ato e do prazer em fazer. Do imediatismo e do contemporâneo. Coitado desse tal contemporâneo, tão maltratado na raiz. Virou outra coisa repetida por quem apenas ouve sem refletir.”

Apresentei esse e-mail no grupo de estudos hoje, era nosso primeiro encontro e a proposta hoje era começar uma discussão sobre até é viável levar a fotografia analógica nesse mundo digital.

Oficina • LABici Pinholeday

Pinholes ao ar livre, é a palavra de ordem no dia mundial do Pinhole!


Pela manhã teremos oficina para construção de mini-câmera (modelo ‘tubo de ensaio’ elaborada por miguel chikaoka). Já no período da tarde as pessoas poderão fotografar com nossas camerinhas.

LABici no Pinholeday (link para o evento no Facebook)
Você tem duas formas de participar do LABici do dia 27/04/2014.

das 11h às 13h – oficina no minhocão (estaremos próximos à rampa de acesso ao lado da estação do metrô sta. cecília).

Venderemos kits de peças para cada um montar a sua câmera pinhole. Os participantes serão divididos em dois grupos de 10 alunos cada e receberão instruções para a montagem e uso da câmera. Um grupo começa às 11h e outro às 12h. O kit também inclui dois papéis fotográficos. Papéis para fotos adicionais poderão ser comprados avulsos.

Preço do kit (câmera, aula e 2 fotos): R$ 25,00
Foto adicional (cada): R$ 3,00
Pagamento em dinheiro no dia.

Não é necessária pré-inscrição e pagamento antecipado para participar. No entanto, se preferir se pré-inscrever para garantir uma vaga em um dos grupos, nos envie nome, telefone, email e horário (11h ou 12h). A reserva tem apenas 10 minutos de tolerância de atraso. Depois deste período a vaga será disponibilizada para outra pessoa.

das 14h às 16h – captura de fotos no largo são bento.

Sessão livre de fotografia em pinhole.
Não haverá venda de kits. Emprestaremos nossas mini-cameras prontas.

Preço da primeira foto (+instruções de uso): R$ 10,00
Foto adicional (cada): 3,00
Pagamento em dinheiro no dia.

Importante: Levar dinheiro trocado.

Abraços,

Simone Wicca, Guilherme Maranhão e Roger Sassaki