Três perguntas para Celso Eberhardt sobre tempos distantes

De passagem pela oficina do Celso Eberhardt, gravei 3 perguntinhas para ele sobre o passado distante.

Qual que é a sua memória mais antiga consertando câmeras?

CE: Eu tinha 13 anos, estava começando. Uma máquina pequena, 35mm, de fole, talvez fosse Zeiss, com a mola do obturador quebrada, tinha que desmontar tudo e eu não sabia como fazer. Ai eu comecei a desmontar e desmontei toda a máquina. Tinha um funcionário do meu pai falou: não é assim! Tirou, trocou a mola para mim, montou para mim. Mas isso ficou gravado na memória, era um obturador Compur.

Celso Eberhardt na oficina da Rua São Bento, 279.

Qual foi sua câmera predileta?

CE: Eu nunca tive uma câmera predileta. Eu usava uma Petri Color, porque eu viajava e nem focava. Ela tinha um automatismo arcaico, ela tinha tudo pronto. O fotômetro funcionava mil maravilhas e era foco fixo. Eu viajava de carro e colocava a câmera no para-brisa e fica clicando as coisa que eu achava bonito, sem olhar e sem parar.

E Leica quando começou a consertar?

CE: Me pai sempre fazia Leica e eu estava acostumado a ver as Leicas antigas de rosca, as primeiras M3. Foi um processo normal de aprendizado e de conserto, com a supervisão dele, no final da década de 1960, início dos 1970.

Mais um rolo de Fomapan, talvez o último

Outro dia o Clemente me presenteou com um achado maravilhoso, um Fomapan 120 vencido daqueles que vendiam na Cinótica em 1992. Naquela época o filme já estava esquisito e a tinta dos números no backing paper já marcava a emulsão, um desastre adorável.

E das sucatas do Celso Eberhardt que eu tenho ressucitado para colocar à venda veio uma Rolleiflex com uma Planar f/2.8 muito interessante. A câmera parece ter uma história bem animada e ainda vai longe.

Me pareceu uma combinação interessante testá-la com esse filme. Abrir o papel alumínio do Fomapan me levou de volta 25 anos, o cheiro peculiar desse filme é inesquecível. Ainda não tive coragem de jogar fora a caixinha e a bula do filme…

Celso e eu saindo do almoço, eu ofereço a câmera: “Quer fazer uma foto?” Ele diz: Não, faz você, esses topos do prédios aqui.” e aponta. Pronto.

Saimos do Largo do Café, andando em direção à Sé e mais uma no caminho.

E de volta à oficina uma última imagem.

Março e Abril de 2017

Desde o post sobre a Varex no dia 04/03 que foi uma correria sem fim aqui. A Varex está pronta, mas ainda não encontrei tempo para fazer um rolinho de filme com ela.
Na semana seguinte o Celso cedeu aos meus pedidos constantes e aceitou que eu começasse um plano de aprendizado bem suave por lá.

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Isso começou no dia 13/03, apenas dois dias por semana, resgatando caixas de coisas abandonadas por até 20 anos e colocando a venda essas câmeras e lentes que estavam em meio as sucatas usadas na oficina para suprir a necessidade de peças.

E se você quiser saber, as câmeras, lentes e outros itens que estão à venda ficam nesse álbum de Facebook aqui.

Já aprendi muito (que na verdade é pouco ainda), desvendando modelos que eu nunca tinha desmontado e consertado antes. Como diriam os gaúchos, faceiro como um pinto no lixo. Bem faceiro.

Essas primeiras semanas no Celso coincidiram com as últimas semanas de produção da segunda exposição do Foco Crítico: Raros, Vintages e Inéditos 2. De providenciar informações e conteúdo para evento no Facebook a ajudar na finalização do catálogo com arquivos de última hora e problemas correlatos, fizemos de tudo um pouco, mas a abertura no dia 01/04 foi bem bacana, tivemos um público grande para uma manhã de sábado e eu fiquei muito feliz com a montagem e com o conjunto das obras da sala que eu curei.

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O fato é que esse lance de curador foi divertido, mas me tirou totalmente da zona de conforto, me fez ter de explicar coisas que eu jamais precisaria explixar, me botou numa sinuca de bico com alguns amigos, enfim, cheguei a falar em primeira e última vez com medo de que toda essa parte chata se repetisse um dia. No entanto, depois de algunas agradecimentos, elogios e uns dias depois ser surpreendido com o texto do Marcelo Coelho (acima), como não ficar feliz?

Abril ainda não acabou, a primeira turma do Dominando Seu Scanner lotou e a segunda está marcada para dia 02/05, fui a POA e voltei, a bola está rolando.