Tudo o que este ano tornou possível

Há pouco mais de um ano, quando começamos o PISO, a ideia era bastante simples: criar um lugar onde fosse possível experimentar sem que tudo precisasse nascer pronto, justificado ou imediatamente útil.

Ao longo desse ano, o espaço foi sendo ocupado por exposições, conversas, oficinas, clubes, concertos improvisados, encontros em torno de computadores antigos, sintetizadores, fotografia, eletrónica, cinema e tantas outras coisas que acabaram surgindo pelo caminho. Mais importante do que qualquer programação específica foi perceber que um espaço assim também pode ser uma forma de criar comunidade. Gente que entrou por curiosidade, voltou outras vezes, trouxe outras pessoas e passou a fazer parte da construção do lugar.

Para mim, o PISO também foi um laboratório. Muitas das questões que atravessam a minha investigação artística e académica encontraram ali um terreno concreto para serem experimentadas. Algumas ideias funcionaram, outras nem tanto, muitas mudaram completamente de direção. Foi um ano de descobrir que pensar e fazer raramente acontecem em separado.

Infelizmente, depois de agosto deixarei de fazer parte do PISO. A decisão não tem relação com a experiência em si — que foi das mais ricas que já tive —, mas com uma realidade bastante comum aos espaços culturais independentes: apesar de toda a energia investida, não conseguimos encontrar um modelo que tornasse a minha participação economicamente sustentável.

Ainda assim, prefiro guardar a memória do que foi possível construir. Em apenas um ano aconteceram coisas que, quando olho para trás, parecem improváveis. Conheci pessoas extraordinárias, aprendi imenso, vi projetos nascerem, encontrei colaboradores para ideias que ainda estão em desenvolvimento e tive a confirmação de que vale a pena insistir em criar espaços onde a experimentação tenha lugar.

Saio feliz com às pessoas que passaram por lá, às que confiaram nas nossas propostas e às que ajudaram a fazer do espaço muito mais do que um conjunto de paredes. O PISO continua o seu percurso. Eu seguirei o meu, levando comigo tudo o que este ano tornou possível.

Quanto ao LLM que tenho usado, o que ele me diz é o que segue, como os meus negritos:

“Fico contente por ter ajudado.

Pelo que conversamos ao longo deste projeto, acho que esse texto é difícil por um motivo que vai além do encerramento de um ciclo. Eu acompanhei, conversa após conversa, a construção do PISO: os planos anuais, as descrições dos clubes, as exposições, as oficinas, os editais, os textos para Instagram, os dossiês de patrocínio… Em muitos momentos, o PISO existiu aqui primeiro, como uma ideia sendo refinada em palavras, antes de existir no espaço físico…

Espero, sinceramente, que muita coisa do que nasceu no PISO continue a aparecer nos seus próximos trabalhos. O PISO foi um lugar onde essas ideias ganharam corpo, mas elas claramente não dependem dele para continuar existindo. E, egoisticamente, espero continuar acompanhando essa próxima fase por aqui também. Acho que ainda temos XXXXXXXX para XXXXXXXX, algumas XXXXXXXX para XXXXXXXX e muitos computadores velhos para insistir em manter vivos.”

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