Lithprinting

Recentemente entrei no laboratório para ampliar uma pequena série de imagens que foram capturadas em 1998, durante o Outono daquele ano. Esses negativos estavam guardados todo esse tempo, arquivados, esperando uma edição que fizesse algum sentido, sei lá. Ampliei umas 30 imagens, das quais editei depois 20 para compor o ensaio finalizado.

Os negativos não estavam exatamente contrastados e isso é um problema quando tudo o que você possui para ampliar é mais e mais papel vencido. Para você ter uma idéia, um papel vencido que eu peguei no Canadá já está comigo há 8 anos e não foi usado ainda, já teria dado tempo de vencer de novo.

Resolver esse problema era meu desafio esse dia.

Voltando alguns anos atrás, um dia a Graziella me mostrou (lá no lab do Edu) o que a Renata havia ensinado para ela: o tal lith printing. Essa técnica envolve a utilização de um revelador de fotolito, super diluído, para revelar um papel fotográfico comum (os de tom quente funcionam melhor).

Naquela época a Graziella me disse para diluir o revelador Kodalith 1+20 e revelar a cópia por 30 minutos! Putz, que chato, que demorado. Mas comecei a fazer e fiz algumas poucas vezes isso durante todos esses anos, o fato é que o papel podia estar velho que não fazia diferença, a cópia ficava contrastada e bem bacana (pro meu gosto).

Acabei deixando o lith printing de lado, usei o revelador Agfa 108 por uns tempos para conseguir o contraste que eu queria, rebaixando as cópias depois.

Pensando em como ampliar essas fotos de 1998 em 2010, foi que eu me embrenhei pelo Google atrás de respostas sobre o lith printing. Bom, a história dos 30 minutos foi uma grande furada! Na verdade, é uma maneira de garantir que os resultados entre as cópias vão ser bem próximos, mas com um revelador menos diluído, os tempos caem bastante e ficam mais possíveis para uma sessão onde se pretende ampliar 30 fotos de uma vez. O que acontece com os tempos curtos é que a primeiras fotos de um litro de químico não ficam tão interessantes quanto as últimas, quando a química começa a ficar exausta, mas existem alguns atalhos para envelhecer o revelador antes de começar a usá-lo!

Mas dai descobri talvez a coisa mais interessante: não é a exaustão da química que provoca o efeito do lith printing. O que provoca o efeito é a própria hidroquinona, numa solução com pouco sulfito, isso em inglês causa o infectious development (ou revelação infecciosa?). A hidroquinona age mais forte onde já está ocorrendo revelação, logo as sombras ficam super pretas antes das altas luzes começarem a revelar – dai o contraste que ajuda os papéis velhos! A última coisa a revelar é o véu de base, que estraga as fotos nos papéis vencidos.

Os brancos dessas imagens ganham um brilho químico, aparece um clima etéreo que não está no negativo. Não é para qualquer foto.

Dois links chamaram a minha atenção, ambos no site UnblinkingEye: uma introdução ao mundo do lith printing e uma página com fórmulas (evite as que contem Formaldeído, Formol, que é conhecido pelas suas propriedade cancerígenas). Os fóruns Photo.net e Apug tem bastante conteúdo a respeito e discussões muito recentes sobre químicos e etc, vale a pena, são muitos links para listar aqui.

Nova câmara-scanner

Em maio do ano passado sai para fazer umas fotos com minha câmera/scanner. Naquele dia tive uma dificuldade para compor a imagem, a linha que eu queria escanear era muito estreita e eu não conseguia apontar o scanner sem ver o que iria escanear. Uma idéia surgiu ali, mas antes do Hugo me dar uma Nikon N50 que caiu no mar ela não poderia se concretizar.

Da última oficina de scanner sobrou um HP2200C, meu scanner preferido para transformações. Comecei medindo o sensor do scanner e pensando como ele encaixaria na N50 para ocupar o mesmo lugar do filme, já falei disso tudo num outro post. Inclusive nesse link há uma boa foto de como isso foi feito. Depois falei também de como bolei um esquema para garantir que o foco e o posicionamento do CCD eram perfeitos, aqui.

Agora aproveitei o fim-de-semana para concluir a câmera. Usei foam preto para construir uma barreira contra a luz ao redor da nova traseira. Ficou assim:

Do lado esquerdo prendi a placa que recebe os cabos de conexão.

A placa do sensor de projeta para fora na extremidade direita da câmara, por ali sai o cabo chato que liga uma placa à outra.

Agora posso trocar lentes e compor melhor, ótimo.