
Foi uma saída eclética. Ali do vão do Masp cada um escolheu o que fotografar numa noite com nuvens que se moviam rápidamente. Eu ainda não revelei minhas chapas de 8×10″. Foto by Daniel Malva!
guilhermeMaranhão • refotografia
câmeras, scanners, filmes… quebrados, obsoletos, vencidos, mofados, estragados…

Foi uma saída eclética. Ali do vão do Masp cada um escolheu o que fotografar numa noite com nuvens que se moviam rápidamente. Eu ainda não revelei minhas chapas de 8×10″. Foto by Daniel Malva!
Na música, a criação de conteúdo a partir de um computador nasceu muito rápido, o que talvez se deva ao fato de ser uma informação bidimensional. Hoje em dia os tais 3Ds estão ficando tão próximos das fotografias, ou melhor, do que é aceito como a representação em 2D do mundo que conhecemos, que já é muito comum não fotografar algo, mas sim usar uma imagem gerada dentro de um computador que simula uma fotografia.
Quem não se lembra dos sintetizadores. Isso foi o meio termo antes do computador pessoal simular o instrumento musical: o sintetizador era um pequeno computador que simulava apenas alguns intrumentos. O som dos sintetizadores era muito peculiar, o que hoje virou cult. Hoje em dia é fácil fazer download de programas que simulam sintetizadores de sons antigos. A simulação da simulação.
Pensando em como esse conhecimento se aplicaria à fotografia, imaginei criar uma música, pensando que poderia ser uma fotografia. Não tem a menor graça, até porque eu não sei nada de música, a não ser ouvir. Baixei o Rebirth, que simula o sintetizador TB-303.

Acho que já postei isso antes, mas não encontrei, talvez não tenha procurado pelas palavras certas. Como secar uma foto enorme, seja de papel RC, fibra ou até de poliéster como essas duas aqui. O poliéster, que fique claro, é o mais difícil, tem uma força enorme e uma vontade de se enrolar de novo.
Pelo que eu aprendi, se deve começar fazendo a volta maior, que fica fora, e depois ir desenrolando o papel para o meio. São necessários seis braços e mãos para executar essa operação com calma. Com meus dois eu consegui, mas há uma certa demora e se deve ter mais paciência.
O piso da cozinha é perfeito para isso, lembre-se de fazer perto de um ralo ou colocar panos a volta do papel para absorver a água que quiser passear.
Não sei precisar quando foi que eu chorei tanto numa sala de cinema quanto hoje. O filme era Into the Wild. É verdade que essa semana tinha me deixado sensível. Foi o post da Wicca de 19.03, as idas e vindas a respeito do consumo consciente que algumas pessoas acham que é uma solução para algo que eles mesmos acham que é o problema, o puro e simples descaso nas relações cotidianas.
Também não sei precisar o que exatamento no filme me atingiu com tanta intensidade. Não quero falar muito, não quero estragar o filme para ninguém. Acho que é a noção de desprendimento material, essa liberdade de que o filme trata. O filme é pontuado por despedidas, mas não foram elas que trouxeram as lágrimas à tona. Foram alguns diálogos cheios de simplicidade. Foi a fuga desesperada das distorções nos relacionamentos.
“If you are not having dinner, I can sit with you all night long.”
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O filme me fala do Zen também. Que é associado à viagem, simbólicamente. O caminho a ser percorrido. Essa associação pode ser deixada de lado, pode-se exercitar o Zen percorrendo um caminho a lugares próximos, cotidianos talvez. Para o Zen não importa o destino final e sim o próprio caminho. E a clareza para com ele.
Realidade, verdade, mentira, amor, carinho. Família. Tudo pode ser tão simples, esse filme é tão claro a esse respeito. Difícil impedir a emoção de fluir. E no fim do filme um sorriso te pergunta: está você tão cego para tudo isso?
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Ele é um fotógrafo, quem diria.

Uma foto já do fim do ensaio, quando a minha última ceia já havia sido quase toda desmontada. Nos fundos do supermercado perto de casa apanhei um pacote do lixo contendo vários cutouts de papelão que viraram meus apóstolos.
Desencavei um arquivo que foi parte do relatório que eu apresentei ao final da minha iniciação científica em 2005. O assunto era Time Lapse.