O responsável por eu ter encontrado essa imagem no fundo de uma caixa foi o caboclo limpador. É uma experiência de montagem bem antiga, a idéia original era fazer um retrato em tamanho real, ampliando cada fotograma em 18x24cm.

guilhermeMaranhão • refotografia
câmeras, scanners, filmes… quebrados, obsoletos, vencidos, mofados, estragados…
O responsável por eu ter encontrado essa imagem no fundo de uma caixa foi o caboclo limpador. É uma experiência de montagem bem antiga, a idéia original era fazer um retrato em tamanho real, ampliando cada fotograma em 18x24cm.

Apareceu um tripé Gitzo Reporter antigo por aqui, as pernas não ficavam no lugar, falta um parafuso para fixar a câmara, essas coisas. Depois de um bom banho, com muito detergente e esponja para tirar restos de areia, graxa e sabe-se lá o que mais, comecei a montar o tripé de novo. A maioria dos anéis de retenção das pernas voltou a funcionar depois da limpeza, com exceção de um. O anel de pressão plástico deve ter ficado pequeno devido ao atrito constante. No lixo seco de casa encontrei um pote de requeijão (Poços de Calda Light), removi o fundo e a boca do pote, as partes onde o plástico é mais grosso. Com uma gilhotina de papel cortei um pedaço retangular do material do pote (como o pedaço translúcido que aparece na foto) alguns milímetros mais alto do que o anel original. Acertei o comprimento do pedaço no próprio tripé e pronto. Troquei a cortiça e providenciei um parafuso para tripé da Atek (R$9).

Um PS rápido: mais coisas na página Pegue Um Deixe Um. Agradeço aos que resolveram engrossar essa lista.
Achei um site hilário, não fosse trágico. Um fotógrafo ciclista, Don Wiss, resolveu dar cara às lojas que estão estabelecidas no Brooklyn em NY e que vendem câmaras fotográficas pela internet, algumas a preços muito abaixo do mercado.
Há um ano atrás publiquei um post lá no Temporal, do qual reproduzo um trecho:
“… em homenagem ao Francisco Azsmann, fotógrafo húngaro que passou a habitar a cidade do Rio de Janeiro após a Segunda Guerra Mundial. Azsmann se dedicou e muito a conseguir medalhas em salões de fotografia e se intitulava o expositor mais premiado do mundo fotográfico. No mundo dos fotoclubes isso era grande coisa. Deixando de lado todos os pressupostos do tempo em que Azsmann viveu e fotografou, seu trabalho era bem resolvido tecnicamente. Em 1961 ele publicou o livro “Foto-montagem e Arte” abrindo as portas para seu ambiente criativo e técnico. O livro trás detalhes e dicas que podem ser úteis para quem curte experimentar no laboratório fotográfico. É um livro raro.”
Nesse último final de ano acabei me deparando com mais livros raros e interessantes que pontuam a fotografia, livros técnicos que falam de coisas esquecidas. As tais técnicas-lixo que tanto menciono aqui. Livros de certa forma obscuros hoje em dia e que merecem resenhas mesmo que póstumas.
Conversei com Antonio Carlos Antunes, que me vendeu a Exa modificada por seu pai, segue aqui um trecho onde ele conta a história por trás da câmara que ficava instalada numa parede do estúdio em Porto Alegre para fazer 3×4:
“Nosso pai, Aimoré Carlos Silva Antunes, fazia fotos para documentos usando câmaras Hasselblad, programando a revelação dos filmes a cada hora. Havia porém o problema dos clientes que tinham pressa, fato que iria gerar a retirada do filme antes do horário previsto, e portanto, incompleto.
Para solucionar o problema, na década de 70, ele adaptou uma Exa para receber rolo de filme 35 com 30 metros de comprimento. Era utilizado o filme Fuji para cinema. Ela ficava na parede que dividia dois estúdios, parede esta dotada de um cubículo escuro, deslocando-se verticalmente na tábua que lhe dava suporte através de um sistema de roldanas com contrapesos. Assim, se adaptava à altura da pessoa a ser fotografada.
Com o sistema de guilhotina presente no compartimento do filme, era cortada apenas a porção exposta do filme, aproximadamente uns 15 cm, sanando assim a perda que iria ocorrer no caso da utilização do filme 120 da Hassel.
Eram colhidas, por segurança, duas imagens da mesma pessoa. O pedaço de filme era colocado dentro de uma lata no cubículo escuro e enviado à câmara escura do laboratório localizado no pavimento superior, por um sistema a ar (um aspirador de pó invertido). A latinha era aberta, o filme revelado e copiado em poucos minutos.”

Fui convidado para participar do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM, edição 2008 com a imagem acima. No site do museu há uma boa explicação do que isso quer dizer, siga os links para Participe do MAM e depois Seja Colecionador.